<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463</id><updated>2011-04-21T21:07:04.415+01:00</updated><title type='text'>O Bicho da escrita</title><subtitle type='html'>"Todos os meus amigos escrevem. Todos os meus amigos têm livros. Eu leio. Sei o que sou: leio o que os outros escrevem." E tu? O que és? Senta-te comigo, com um sorriso nos lábios e um livro aberto nas mãos.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>37</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-113925404506227281</id><published>2006-02-06T19:26:00.000Z</published><updated>2006-02-06T19:27:47.643Z</updated><title type='text'>Juntaram-se os dois à esquina...</title><content type='html'>Há apenas uma coisa que me deixa descansada relativamente ao nosso novo presidente, é saber que vai ser mais de esquerda que o nosso primeiro-ministro. Um já sabemos como é, o outro está a revelar-se muito interessante…se o Cavaco conseguir ser mais de Direita que o Sócrates, bato-lhe palmas, e saio do país.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-113925404506227281?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/113925404506227281/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=113925404506227281&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/113925404506227281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/113925404506227281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2006/02/juntaram-se-os-dois-esquina.html' title='Juntaram-se os dois à esquina...'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-113907539980988467</id><published>2006-02-04T17:49:00.000Z</published><updated>2006-02-04T17:49:59.810Z</updated><title type='text'>Por onde ele anda…</title><content type='html'>Onde anda o Gonçalo Cadilhe?&lt;br /&gt;Voltando uns tempos atrás…&lt;br /&gt;O Gonçalo está comigo desde o início, a passear pelo mundo, na sua volta ao mundo! Passeou, escreveu, passou, falou, fotografou e depois voltou, escreveu um livro, foi a programas importantes, e agora?&lt;br /&gt;Continua a dar notícias, vai andando pelo mundo, regressando a sítios passados, passando por sítios novos e esta semana encontra-se comigo no Expresso, mais uma vez. Fala de casas, da sua casa ideal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não gosto da imobilidade definitiva dos imóveis, nem do peso lacónico dos móveis. Diz-me como preenches os teus interiores, e serei obrigado a saber quem és, mesmo que eu não o queira. Irrita-me a ditadura do espaço ditada pelas paredes, e a corrosão do tempo nas paredes. Não gosto de casas, mas gosto de janelas. Há qualquer coisa de sagrado numa janela, um altar primordial sobre os horizontes das possibilidades humanas, uma revelação que separa a luz das trevas. A janela representa uma conquista civilizacional, indica uma sociedade que alcançou segurança e paz, que honra os acordos territoriais estabelecidos com os vizinhos; e que confia num comportamento semelhante por parte desses vizinhos…a casa encerra o espaço, a janela desvenda e oferece o mundo…é um paradoxo pessoal que me persegue desde há muitos anos. Não gosto de casas mas ligo-me emocionalmente aos objectos…Uma casa para sonhar novos continentes e repousar dos oceanos atravessados, o ponto das partidas, o momento das chegadas. Lá dentro, um bicicleta que relincha, uma mochila a exigir reforma, um seixo fiel como um cachorro, uma guitarra por acariciar. Lá dentro uma janela que empurra para fora.” Gonçalo Cadilhe, in Expresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso Gonçalo assim está. Diferente do primeiro dia, mas isso também nós. Começam a ser crónicas pessoais. Antes também o eram, mas falavam de lugares, de como o afectavam. Agora, fala-nos de si, e de como pode existir no mundo. Incapaz de comprar casa, adepto do aluguer, será que andas perdido?&lt;br /&gt;Tive dificuldade em adaptar-me à tua mudança. Agora estamos juntos, de novo. Uma janela grande que nos espelhe aos menos as possibilidades e os sonhos. O nosso Gonçalito está bem, à maneira dele. Daqui a uns tempos manda-nos mais uma carta, com um sorriso nos lábios, e tons diferentes dos nossos. Sem mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-113907539980988467?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/113907539980988467/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=113907539980988467&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/113907539980988467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/113907539980988467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2006/02/por-onde-ele-anda_04.html' title='Por onde ele anda…'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-113907515657078117</id><published>2006-02-04T17:44:00.000Z</published><updated>2006-02-04T17:45:56.570Z</updated><title type='text'>Proposta com intervalo das 9h às 23h</title><content type='html'>Para um pequeno-almoço, um lanche ou apenas umas horas bem passadas, proponho duas livrarias. A Liv&lt;strong&gt;raria&lt;/strong&gt; Ba&lt;strong&gt;rata&lt;/strong&gt;, na Avenida de Roma, como quem vai e desce ao pé da Estátua. É uma livraria enorme, numa avenida bonita, com espaços bem cuidados e limitados, tem escolhas acertadas, um café agradável, empregados prestáveis, e este mês tem preços muito convidativos. Promoções até aos 70%, em livros que não são sobre a cozinha da região do Sado em 1800 e troca o passo. Uma oportunidade até ao fim do mês, uma livraria até ao fim da vida. Ainda na mesma Avenida, ou lá muito perto, o cinema&lt;strong&gt; King&lt;/strong&gt;. Aí pode-se ver um bom filme, ou simplesmente passar pela pequena livraria e pelo acolhedor café. Esta livraria, de gosto requintado, pequena no espaço, enorme na diversidade, apresenta-nos algumas pérolas. Os preços não são os mais convidativos, mas as escolhas sim. Desde dos filmes Atalanta, às agendas e postais, bandas desenhadas, livros de design e fotografia, colecções de policias…umas horas antes de um filme, com um café pelo meio. Engane-se quem pensava que eu não andava atenta aos livros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-113907515657078117?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/113907515657078117/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=113907515657078117&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/113907515657078117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/113907515657078117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2006/02/proposta-com-intervalo-das-9h-s-23h.html' title='Proposta com intervalo das 9h às 23h'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-113887571831312494</id><published>2006-02-02T10:20:00.000Z</published><updated>2006-02-02T10:21:58.323Z</updated><title type='text'>Parabéns</title><content type='html'>Parece-me oportuno dar-te os parabéns. Já lá vão uns aninhos. Ainda me lembro quando aparecias lá em casa a chorar porque o teu pai te tinha dado uma sova de caixão à cova. Depois riamos apenas. E assim se fizeram belas obras. Lembras-te do Don Giovanni, tu eras um conquistador de mulheres, eu era uma camponesa, e enfim...o resto já se sabe. Tenho saudades tuas. Mas às vezes, leio um livro e bebo um café, com a tua música ao fundo. Ainda somos amigos não somos?&lt;br /&gt;Parabéns, meu querido Mozart!&lt;br /&gt;250 anos…quem diria que ainda estaríamos aqui?&lt;br /&gt;Um abraço, de mim simplesmente para ti, ana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-113887571831312494?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/113887571831312494/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=113887571831312494&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/113887571831312494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/113887571831312494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2006/02/parabns.html' title='Parabéns'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-113858252785558839</id><published>2006-01-30T00:55:00.000Z</published><updated>2006-01-30T00:55:27.866Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Faz hoje um ano que fui para Itália.&lt;br /&gt;Significa isto que o tempo passa rápido.&lt;br /&gt;Entretanto voltei, e estavam todos cá. Uns mais que outros. Uns parece que não voltaram e outros não foram comigo.&lt;br /&gt;Continua a fazer sol nalguns dias. Na maioria.&lt;br /&gt;Mudou-se de governo, mudou-se de presidente.&lt;br /&gt;As uvas do supermercado aqui da rua aumentaram em 20%.&lt;br /&gt;Agora sonho em italiano, algumas vezes.&lt;br /&gt;Os putos cresceram o que tinham de crescer.&lt;br /&gt;As flores lá estavam na Primavera.&lt;br /&gt;E os olhos abrem de manhã, com o mesmo espanto de sempre.&lt;br /&gt;Continuo a ler o placar: “PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAr ESPANTADO DE EXISTIR!”&lt;br /&gt;As bolachas da Holanda são as melhores. (utilizo o artigo definido, feminino, plural)&lt;br /&gt;O mar é azul e sempre cheio de peixes.&lt;br /&gt;O cabelo cresceu.&lt;br /&gt;A roupa ficou mais apertada, devido aos gastos controlados.&lt;br /&gt;Veneza apresentou-se de forma sedutora….ainda tenho o número dela.&lt;br /&gt;Aprendi a sorrir noutras línguas.&lt;br /&gt;E agora…..agora….neva.&lt;br /&gt;Convido-vos para mais um ano.&lt;br /&gt;E faz hoje um ano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-113858252785558839?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/113858252785558839/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=113858252785558839&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/113858252785558839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/113858252785558839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2006/01/faz-hoje-um-ano-que-fui-para-itlia.html' title=''/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-113624916495439957</id><published>2006-01-03T00:45:00.000Z</published><updated>2006-01-03T00:46:04.963Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Bonito serviço!!! – disse.&lt;br /&gt;Ah sim? – perguntou ele, irónico.&lt;br /&gt;Sim, bonito serviço que aqui está. – continuei.&lt;br /&gt;Não olhes para mim…. – Escapando com os olhos.&lt;br /&gt;Sim senhor, bonito serviço! – com mais firmeza.&lt;br /&gt;Ana….. – disse ele.&lt;br /&gt;Que foi? É um bonito serviço de porcelana. A palhaçada que temos em casa não chega para 10 pessoas. – terminei eu com a curiosa dúvida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-113624916495439957?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/113624916495439957/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=113624916495439957&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/113624916495439957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/113624916495439957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2006/01/bonito-servio-disse.html' title=''/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-110864714348043323</id><published>2005-02-17T13:31:00.000Z</published><updated>2005-02-17T13:32:23.486Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Olá,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, como estás? Como vai essa vida? Que tens feito neste últimos tempos? Ainda estás por aí? Tenho-me lembrado de ti, algumas vezes, de soslaio.&lt;br /&gt;Por aqui tudo bem. A cidade é bonita, pequena, cabe na palma de uma semana e vê-se bem a pé. Ou de bicicleta. E perguntas-me tu: mas andas de bicicleta? Sempre. Recordo aqueles sábados em que tinha vontade de andar de bicicleta pelos campos de Alcobaça e Nazaré. Pelos vistos regredi, nisto sim. Andamos todos de bicicleta. Uma comunidade de ciclistas, com regras e tudo. Mas eu teimo em quebrá-las. Condução divergente.&lt;br /&gt;Bonita a cidade, com este tempo de sol, translúcido. Tem uma praça que irias gostar, é grande, enorme, a maior que alguma vez viste, com um lago, namorados sentados na relva, intelectuais a ler livros russos, crianças a andar de triciclo, velhotes a conversar sobre outros tempos. Ias gostar, tanto como eu gosto. E traz dinheiro no bolso porque há um mercado ao Sábado, com coisas giras. Não deixo de ter saudades de Lisboa, é a minha cidade, mas estou bem aqui, a experimentar a sensação de estar num sítio pequeno em que reconheço caras e me sinto reconhecida. Aparece cá que vamos comer um gelado e atirar milho aos pombos em Veneza. Eles até vêm à mão. E depois podíamos andar a pé. Apenas. E falar sobre a nossa vida, aquilo que tem sido. Ou talvez nos apeteça rir apenas. Logo se vê. Aparece e logo se vê.&lt;br /&gt;A casa é de facto muito bonita, gosto imenso, é no centro da cidade. Aí sempre tive o problema de ir para casa à noite e agora vou a pé para qualquer sítio. Imagina tu o que é viver no Rossio…pois assim estou eu. As pessoas são simpáticas, a comida é muito boa, a televisão fica melhor desligada, a música faz-me pensar que aí temos um gosto mais abrangente, as casas são bonitas, as ruas estão bem tratadas, os bares são giros, a burocracia é lenta como aí, os telemóveis são fonte de grandes rendimentos para o país, imagina tu que quando carregamos o telemóvel tiram-nos sempre dinheiro, carregamos com 10 euros tiram-nos 2 euros, carregamos com 5 euros e tiram-nos 1 euro, cada sms custa cerca de 20 cêntimos e paga-se os relatórios de entrega. Compensa pagar a um mensageiro.&lt;br /&gt;Por enquanto os dias estão calminhos. Andam todos a estudar por aqui, andam todos em exames, ou então a viajar, ou a última moda, estar-se doente. Toda a comunidade está doente, incluindo eu. Mas se ficar doente aí significa estar deitada no sofá, com chazinho e sopinha feita pela mamã e a ouvir um belo programa de animais com a voz do Euládio Clímaco, aqui significa o desespero absoluto. Não há mãe para nos compreender e dizer que de facto somos a pessoa mais doente do mundo e que estamos a morrer e a televisão teima em dar programas dos anos 80. Tudo é em italiano, este é um facto estanque, mas os programas são mesmos maus. Para além de ter bastantes canais de televendas e programas de confidências e astrologia, as séries estrangeiras que dão são dos anos 80, séries que deram aí no início da televisão a cores.&lt;br /&gt;No outro dia fui sair à noite, a uma discoteca que ao domingo tem festa de Erasmus. Quando me vim embora, andei cerca de 15 minutos de bicicleta. Não vi uma única pessoa, foi aí que me apeteceu despir e andar de bicicleta nua. Estás a imaginar? Andar pelo meio da rua mais importante de uma cidade, passar pelas montras Armani, pelos Bancos toda nua! O potencial de uma cidade vazia é fantástico. Podes fazer qualquer coisa. Como se o mundo tivesse acabado e tivessem ficado as cidades, os bancos de jardim, os caixotes do lixo, os cadeados e as bicicletas, as sarjetas, mas nenhum ser vivo (aproveito para expressar a minha dúvida sobre se as sarjetas serão ou não seres vivos).&lt;br /&gt;Eu cá ando, parece-me ainda que estou de férias. Sem aulas, sem conhecer ainda muita gente porque esta é uma época de transição, com os dias livres para passear, ler, conversar. Ando bem, hoje estou doente é verdade, mas bem disposta. E tu? Vai dando notícias, que isto sem saber de ti não vai ser o mesmo. De qualquer das maneiras estarei aí pelo Verão e aí falamos, numa esplanada com uma bela imperial, eu falo-te destes meus dias e tu falas-me desses teus dias. Estou bem, mas tu já desconfiavas não era? Já sabias que ia gostar disto. E tu também vais gostar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço, de mim simplesmente para ti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ana&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-110864714348043323?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/110864714348043323/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=110864714348043323&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/110864714348043323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/110864714348043323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2005/02/ol-ento-como-ests-como-vai-essa-vida.html' title=''/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-110614110684954352</id><published>2005-01-19T13:24:00.000Z</published><updated>2005-01-19T13:25:06.850Z</updated><title type='text'>A minha viagem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faltam poucos dias para me ir embora. E começo a ficar ansiosa. É agora que penso a sério nas razões que me levam a querer sair. E dizê-lo custa-me. Porque me expõe demasiado. Mas gostava que algumas pessoas soubessem porque vou, e que não pensassem que viajo pelas razões habituais de quem viaja. Saio porque há algum tempo que não me sinto bem. Não é assustador, não é patológico. Nem sequer faz comichão no dia-a-dia. Mas sei que preciso de alguma coisa, para modificar outras coisas. Preciso simplesmente de me afastar, porque não me soube afastar aqui. Porque preciso de me concentrar na maneira como gosto das pessoas à minha volta, na maneira como digo não, na maneira como me disponho. Preciso que estas sejam características que não se misturem com a Ana que quer ter um filho André. E a determinação é tanta, mas vai-se perdendo naquilo que quero mostrar que consigo dar. O problema não é de ninguém a não ser meu. Sou eu que não sei separar o joio do trigo. Esta é a minha motivação. O resto virá por acréscimo. O país, com o qual sonho desde pequena. Viajar, que é o verbo que estará sempre no infinitivo, porque jamais deixarei de o utilizar. Paleio, paleio, pessoas, conversas, dançar, dormir, parlare, pastar (vt. Do latim, fazer pasta), estudar, ler, escrever. Mas principalmente fazer uma pausa. E infelizmente tenho que usar o termo pausa, porque o que queria mesmo era que o tempo deixasse agora de ser importante. Ia para lá no Inverno, mas também podia ir na Primavera, não interessava, podia ir numa monção qualquer, mas estaria geográfica e temporalmente afastada.&lt;br /&gt;Vou ter saudades, não muitas, mas vou ter. De momentos pontuais, com pessoas específicas, da cidade, da minha casa. Não vou perder nada que não possa achar de novo mais tarde. Acho eu. Mas em vésperas anunciadas da minha partida, tenho medo. Nem sequer é ansiedade, mas medo mesmo. Medo de ser uma viagem egoísta. E ao mesmo tempo medo de me aperceber que vou estando melhor sozinha. E sozinha no sentido de me preocupar mais, de deixar de querer ser “mãe” antes de tempo.&lt;br /&gt;Andava com medo de dizer isto. Mas é por isto que viajo, porque quero estar um bocado sozinha. E conhecer pessoas novas ou estar com novos amigos não é incongruente. Porque agora está tudo parado, só se ouve uma voz ao fim da rua, uma daquelas vozes finas e irritantes, que entram nos ouvidos e dificilmente saem, passam o resto da vida a morar que nem parasitas dentro do meu sistema auditivo. Que se lixe, vem comigo para fora deste mundo. Pode ser que um dia me faça companhia. E há algum tempo que me levanto com o corpo dorido, e sinto que o meu corpo é o reflexo de como me sinto, e aparentemente estou bem, psicologicamente estou calma, mas os médicos dizem que não. Que ando nervosa, que tenho de relaxar. Por isso vou-me dar esta oportunidade, de ir e voltar com a certeza de quando estou bem ou não. Porque agora não consigo ver isso, vejo-me sempre bem. E isto não é verdade. Porque acordo com o corpo dorido, e sei que não é do colchão, mas sim do medo, da certeza que ainda não descobri o que quero ser. Estou a depositar muito nesta viagem e acho que vou vir de lá mais feliz. Com uma felicidade não tão aparente como esta que sinto agora, e que sinto mesmo, não a invento. Mas sei que sou eu a contornar uma rotunda, a andar às voltas.&lt;br /&gt;É um peso que tenho que afastar de mim. Preciso disto. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-110614110684954352?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/110614110684954352/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=110614110684954352&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/110614110684954352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/110614110684954352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2005/01/minha-viagem.html' title='A minha viagem'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-110564726297904670</id><published>2005-01-13T20:01:00.000Z</published><updated>2005-01-13T20:14:22.980Z</updated><title type='text'>Bastou perguntar.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A resposta ao post anterior surgiu ao jantar, enquanto se comia pescada em molho de tomate. Bastou perguntar à minha mãe, porque realmente as mães sabem sempre tudo. O meu pai inventou um bocado, mas teve piada. Portanto meus amigos: o Carnaval é matemática e uma cabala. Matemática porque efectivamente se marca 41 dias antes da Páscoa, e uma cabala porque a Páscoa é marcada pela igreja. A igreja marca a Páscoa em função da lua. E a lua por sua vez é marcada por mim, aparece quando eu quero e desaparece quando me dá na real gana. A questão que, no entanto, ainda me intriga é a relação entre Carnaval (pagão) e a Páscoa. E outra questão que também me intriga é a generalização destas duas datas, partirá um fax da igreja para todas as gráficas que fazem calendários e agendas? E quem diz gráficas diz também escolas e agências de viagens. Há algum gabinete, com estatutos e funcionários próprios, que se dedique à decisão destas duas datas? Será que alguém tem como profissão: escolhedor da data do Carnaval e da Páscoa e consequente transmissão da mesma? As respostas a estas duas novas questões reportam de novo para o mail &lt;a href="mailto:anni_gaspar@hotmail.com"&gt;anni_gaspar@hotmail.com&lt;/a&gt;. Só ganhamos com isto meus amigos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-110564726297904670?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/110564726297904670/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=110564726297904670&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/110564726297904670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/110564726297904670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2005/01/bastou-perguntar.html' title='Bastou perguntar.'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-110501870928675742</id><published>2005-01-06T13:37:00.000Z</published><updated>2005-01-06T13:38:29.286Z</updated><title type='text'>Carnaval: cabala ou matemática?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estou intrigada com um facto. E vou decerto parecer paranóica, e provavelmente inculta. Mas quem é que decide quando é que é o Carnaval? Acho interessante o movimento que se gera em torno de alguns feriados, que são escolhidos por uma entidade qualquer. É que o Entrudo é pagão, deduzo portanto que não será a igreja a escolher. Sei que a Páscoa é 41 dias depois do Carnaval, mas a Páscoa também é escolhida em função do Carnaval, ou será o contrário? Talvez seja esta a resposta. Mas quem é que decide isto? Como é que os calendários todos têm a data certa, falam com quem antes de serem feitos? Será que alguém manda um fax a dizer a data? Tenho a leve impressão que esta altura é escolhida por um grupo de palhaços reformados. Ou provavelmente por um grupo de matemáticos, que pouco diferem da opção anterior. Admitindo que a nossa incógnita é a altura em que se celebra o Entrudo, e admitindo que este é 41 dias antes da Páscoa, e que esta é uma altura religiosa, mas no entanto o Entrudo é pagão, e que ora calha num mês, ora calha noutro mês, e que por vezes Fevereiro tem 29 dias, e que ora é a dia 8, ora é a dia15, como é que chegamos lá? A minha aposta seria em primeiro lugar ver se a variável Páscoa e a variável Entrudo são independentes e a partir daí passar para uma análise mais detalhada e provavelmente desenvolver aqui uma expressão que me tirasse esta incógnita. Este seria o método dos matemáticos. Mas o meu método é bem mais interessante. O meu método é acreditar que há aí uma cabala qualquer. Mais simples que isto é difícil.&lt;br /&gt;Eu não gosto muito do Entrudo porque apanho sempre com balões de água em cima. E está frio. Nem sequer se dão ao trabalho de aquecer a água. E às vezes descuidam-se e até mandam farinha. E os homens adoram vestir-se de mulher.&lt;br /&gt;Mas a questão mantêm-se: alguém me explica quem é que marca o Carnaval? Respostas para &lt;a href="mailto:anni_gaspar@hotmail.com"&gt;anni_gaspar@hotmail.com&lt;/a&gt;. A centésima pessoa a responder recebe um par de ténis ardidas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-110501870928675742?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/110501870928675742/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=110501870928675742&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/110501870928675742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/110501870928675742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2005/01/carnaval-cabala-ou-matemtica.html' title='Carnaval: cabala ou matemática?'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-110436533380049279</id><published>2004-12-30T00:06:00.000Z</published><updated>2004-12-30T00:08:53.800Z</updated><title type='text'>O André anda descalço</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tal como me imagino em Itália daqui a uns anos, numa aldeia pequena, a acordar num quarto com portadas de madeira, com mar escarpado, um quintal com laranjeiras e uma pasteleira no hall de entrada, tal como imagino um homem que me faça um sumo de laranja sem caroços e se sente ao pé de mim a contar-me que na noite anterior teve em Paris a tocar piano, que passou pela Argentina e dançou tango, parou em Cuba para falar com um velho que fazia sapatos de corda, que encontrou uma velhota que lhe deu uma chave mágica que deu para abrir uma porta qualquer escondida num mosteiro qualquer e encontrou um livro com folhas velhas e comidas pelas traças, um homem que me diga isto de manhã, que à tarde me fale dos povos antigos e do início da escrita e que à noite se ria comigo na cozinha a preparar um prato qualquer que envolva tomate, queijo, e provavelmente brócolos, um homem que seja também sinónimo de excelente sexo, claro. Tal como imagino isto, imagino também os meus filhos. Estão aqui na veia da maternidade, ou na cidade da expectativa ou imaginação. Parecem-me normais, à primeira vista. E hoje vi um miúdo que parecia tirado do meu mundo muito próprio. Só que o meu chama-se André e este chamava-se Rafael. Devia ter 3 ou 4 anos e tinha uma boina estilo ardina. Não era dos mais extrovertidos, mas claro que o meu André será um puto activo. O Rafael era calmo, ouvi-o dizer isto ao pai (e não sei qual o contexto, mas há frases que são bonitas independentemente de onde surgem): “ a cores da bandeira norte-americana…” “gostava tanto de um dia poder ver um dinossauro”. Eu quero estar constantemente a dizer ao meu André Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, que amoroso, quer dizer não é dizer-lhe, mas sentir e ter vontade de lhe apertar aquelas bochechas todas que ele vai ter, porque o meu André vai ter umas bochechas mesmo ficholas.  E o Rafael (nome que não posso confirmar, foi informação vinda de outro mundo auditivo) lembrou-me o filho que eu quero ter. Antes disso andarei pelo mundo, também de motocicleta, ou talvez de vespa, com um caderno de capa rija, com livros de colorir, com plantas secas dentro dos livros, uma mochila caqui, lápis de cera para pintar as pessoas que vou conhecendo, com um livro de frases perfeitas e palavras mágicas para dizer quando algum ente não me deixar passar para um país qualquer. Antes do André virá isto. Mas o André está lá, sentado ao colo dos papás, a rir de boca aberta e a desequilibrar-se para trás, com os braços levantados atrás das orelhas. " A andar sempre descalço."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rafael lembrou-me disto.&lt;br /&gt;Nem sequer tento apagar esta imagem, parece-me tão certa.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-110436533380049279?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/110436533380049279/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=110436533380049279&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/110436533380049279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/110436533380049279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/12/o-andr-anda-descalo.html' title='O André anda descalço'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-110147741951548948</id><published>2004-11-26T13:55:00.000Z</published><updated>2004-11-26T13:56:59.516Z</updated><title type='text'>Censura</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Falar de censura pode tornar-se um bocado fútil quando não se sabe muito bem do que se fala. Eu não sei tão bem quanto o meu avô, ou avó sabiam. Mas não deixo de ter uma opinião e um conceito formado. Teoricamente acho que a censura que mais nos flagela é a que fala baixinho, nas costas, segura de que ninguém a topa. Não acho que veja mais que os outros, acho que todos já se aperceberam que o país não está muito bem de saúde e que algumas coisas se vão passando nas nossas costas.&lt;br /&gt;Não se pode negar que hoje em dia a maioria das pessoas vêem televisão. Algumas lêem jornais, revistas, mas de facto a maioria de nós vê televisão. Torna-se um alvo fácil, quer para o lado para onde se abrem portas ou para o lado em que se fecham. E ultimamente algo se tem passado. É engraçado que as coisas vão tendo proporções quer ao nível privado, quer ao nível público. Caso Marcelo. Ponto final aqui que isto tem mediatização suficiente para que todos tenhamos uma opinião formada. Do que eu quero falar é das consequências do congresso do PSD na televisão. Talvez para os assíduos este tenha sido um facto que não passou ao lado. Alguém se apercebeu que nos últimos tempos o Contra-Informação deixou de ser imediatamente antes ou depois do Telejornal? Pois é, deixou, se bem que esta semana houve aqui umas nuances. Estamos a falar de um programa arrojado, que diz mesmo as coisas como devem ser ditas. É muito fácil esquecer-se que atrás de bonecos estão pessoas a falar e a escrever, ou antes…a pensar. Inteligente quem pensou que seria mais fácil falar-se sobre a forma de caricatura, realmente é, passa mais ao lado de quem pega na caneta e risca, porque geralmente quando se quer falar a sério não se goza tanto. Mas a verdade é que dois factos são incontornáveis: o Contra-Informação mudou de horário (para mais tarde) e o Contra-Informação acerca do Congresso do PSD, o Contra-Informação que iria passar na segunda-feira a seguir ao Congresso foi &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;CENSURADO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Aliás durante algum tempo as notícias que passaram foi de que o Congresso tinha corrido tão bem, tinha sido tão proveitoso. O DN de segunda-feira trazia maravilhosas fotografias e momentos extraordinários, de harmonia, de conversas e debates afáveis e saudáveis. 20 folhas de borracha na mão a apagarem o que correu mal. O normal até é que algumas coisas não corram bem. E a turba de bola baixa (que o guarda redes é anão) não vá malta levantar o chuto e marcar golo.&lt;br /&gt;Apercebo-me que nos dias que correm tenho que ver a Sic Notícias. Provavelmente luxo, confesso que não sei muito bem quem tem ou não TV Cabo ou Cabovisão. Acho que não será a maioria, ainda não. Para quem não tem o hábito de ler, está condenado a 4 canais que vão sentindo o pulso forte do Governo. E mesmo para nós leitores, há pouco que se aproveite. Eh pá, pareço desesperançada? Não estou. Conheço os meus amigos, sei que pensam, e sempre nos ensinaram que o pensamento é o nosso melhor amigo, ou será o cão? Pelos vistos, ambos mordem.&lt;br /&gt;O futuro faz-se de belas conversas em cafés, de programas como a Opinião Pública na Sic Notícias e de ouvidos colados às paredes, que tudo o que se passa fala, fala é baixinho. Ou então de revolução. Solidária ao XVII Congresso do PCP que se passa neste fim-de-semana. Solidária. Vamos lá ver o rumo que o partido leva. Vamos lá ver. Mas solidária, apenas.&lt;br /&gt;E como conclusão: tenho pena dos antepassados que nos deram ideias tão bonitas, tenho medo e vergonha do meu país. Mas amo-o de braços abertos e por isso vou acreditando que melhores dias virão. Filosofia de vida aplicada à vida pessoal, mas também ao meu país. Se assim não fosse, iria pertencer a que terra? A merda existe em todo o lado, o engraçado é que as moscas também. Não há merda que não seja famosa ao ponto de não ser seguida. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-110147741951548948?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/110147741951548948/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=110147741951548948&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/110147741951548948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/110147741951548948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/11/censura_26.html' title='Censura'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-109983714890386572</id><published>2004-11-07T14:17:00.000Z</published><updated>2004-11-07T14:19:08.903Z</updated><title type='text'>Guitarra portuguesa</title><content type='html'>&lt;em&gt;"Para interpretar o Fado, nenhum instrumento mais de jeito que a guitarra. Está costumada a cantar tristezas desde a mais remota antiguidade e além disso fala tão baixinho que não chega a incomodar os grandes, os felizes, os opulentos. É quase uma criança que chora ou uma mulher que suspira. Impressiona e não atordoa. Faz-se ouvir, mas não se impõe." - Citação de Alberto Pimentel, em Photographias de Lisboa, pág.64.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Gosto particularmente do som da guitarra. Da viola. Não sei bem a diferença. Que me desculpem os profissionais ou os entendidos. Gosto do som deste instrumento. Cai-me bem no aconchego do ouvido. Vou falar da guitarra portuguesa. Som mais brilhante é verdade. De facto nunca pensei muito no que significa a expressão “guitarra portuguesa”. Paro agora e penso que se refere a algo nosso, tão nosso quanto o nome identifica. De facto estamos habituados a chamar as coisas pelas suas origens: o galo de Barcelos, os pastéis de Belém, os ovos-moles de Aveiro, as chaminés do Algarve…precisamos de referências como povo. Mas voltando à guitarra portuguesa que o compasso vai ficando mais rápido. É difícil não associar esta guitarra ao fado. Segundo os fadistas a guitarra acompanha e transporta a voz. Marca presença sobre a sina que se encontra sozinha. Há quem diga que é uma mulher. Há quem diga que é um meio de locomoção. Há quem diga que é ela, em si pelo que é, como instrumento de culto, quer na forma como é tocada, quer na forma como é construída. Não há escolas de fado, não há escolas que ensinem a construir a guitarra portuguesa. Tradição no verdadeiro sentido da palavra: mestre e discípulo, como nos filmes do Star Wars. E há algo melhor que um bom segredo? Saber que o ensino e a perícia de tocar um instrumento reside na sapiência de poucos. Poucos que aqui é sinónimo de interessados, a meu ver…como em tudo o resto. Eu gosto de guitarra portuguesa. Tocada nos bares e tascas com fadistas, tocada em concertos, tocada na placidez da minha casa com o nome de Carlos Paredes, António Cheiinho, Ricardo Rocha.&lt;br /&gt;Ouvi dizer que não se ensina em nenhum Conservatório português. Não se ensina a fazer, tal como não se ensina a cantar fado. Talvez resida aí a beleza deste instrumento, falar em linguagem portuguesa. Não se conhecem as origens certas deste instrumento. Há os que falam em época medieval, há os que falam em cítaras, há os que falam em árabes, há os que falam em guitarra inglesa. Não me interessa assim tanto, apenas a título de curiosidade.&lt;br /&gt;Tal como o flamenco , um estilo de música que retrata uma maneira de sentir. Não somos mais donos da saudade que outro povo, mas sim da sua musicalidade. Fala-nos o flamenco de um povo cigano de Andaluzia, tornado marginal. Música de têmpera dramática retrata bem o ostracismo. E o nosso Fado? Não se pode negar que conta a história de sentimentos tristes, sejam eles saudade, morte, ciúme, amor, inveja. Que povo é este que o Fado nos canta? Triste dos feitos que só conhecem passado, triste de sina? Ou sentido, como quem sente mais que os outros? Não sei, “quem canta os seus males espanta”. E esta é a verdade que não se explica. Não sei de onde vem o Fado, nem sei bem o que retrata. Sei que é diferente do Samba. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-109983714890386572?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/109983714890386572/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=109983714890386572&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109983714890386572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109983714890386572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/11/guitarra-portuguesa.html' title='Guitarra portuguesa'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-109918831625719697</id><published>2004-10-31T02:01:00.000Z</published><updated>2004-10-31T02:05:16.256Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>"A revolução não é uma cópia, é a criação de um povo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Palavras de Ernesto Guevara, pela boca de Gael Garcia Bernal.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-109918831625719697?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/109918831625719697/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=109918831625719697&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109918831625719697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109918831625719697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/10/revoluo-no-uma-cpia-criao-de-um-povo.html' title=''/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-109706535205479453</id><published>2004-10-06T13:17:00.000+01:00</published><updated>2004-10-06T13:24:16.170+01:00</updated><title type='text'>Dezanove meses e 38 países depois</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Regresso com Gonçalo Cadilhe. Regressamos os dois. Dezanove meses depois, 38 países depois, 106.223km depois, 8 mares depois, 3 oceanos depois, 19.578 fotografias depois, 94.835 palavras depois. Estas são as contas do regresso a casa de Cadilhe. Chegou à Figueira da Foz (lembra-me um amigo e uma passagem de ano) a 6 de Agosto de 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gonçalo partiu a 27 de Dezembro de 2002. Pretendia fazer uma viagem ao mundo, mas uma viagem terrestre. Partiu sem prazo, com a responsabilidade de relatar as suas viagens. A viagem seria sempre terrestre, era o objectivo a cumprir. Com o tempo, o objectivo começou a fundir-se com as pessoas, os países, as lides de quem viagem. O objectivo passou a ser literário, acima do modo de locomoção da viagem, estaria a vontade de escrever. Assim começa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os meus primeiros quilómetros são redundantes. Para chegar a Nova Iorque tenho que passar por Valência. Já estou como o Colombo, que queria buscar o Oriente pelo Ocidente, mas primeiro teve que passar pelos Reis Católicos. Também eu tenho que passar primeiro por Espanha para chegar à América.&lt;br /&gt;A travessia do Atlântico decorreu em pleno Inverno, e recebi o meu baptismo oceânico com ondas de oito metros, ventos ciclónicos, temperaturas negativas. Desembarquei em Nova Iorque em 11/1/2003, e segui para o sul.&lt;br /&gt;Tinha uma passagem, para Junho de 2003, num cargueiro a partir do Chile para a Austrália. Desci o Continente americano pela grande estrada da orla do Pacífico, a Pan-Americana. Tinha tempo, seis meses. Em princípios de Abril estava na Cidade do Panamá, à procura de uma passagem para a América do Sul. (…)&lt;br /&gt;Entretanto já não fazia sentido estar na América do sul. Decidi ir num cargueiro para a Nova Zelândia. Tinha três meses até essa viagem. Aproveitei para viajar pela parte andina do continente e tocar de leve Buenos Aires, cidade que amei como nenhuma outra nesta viagem, em parte pelo baixo custo de vida, em parte pela atmosfera requintada.&lt;br /&gt;A ideia de voltar a percorrer a Amazónia e depois a Venezuela, para chegar finalmente a Cartagena e procurar um veleiro no sentido inverso, para o Panamá, parecia-me absurda. Atravessar a Colômbia de autocarro estava fora de questão. Decidi procurar um a passagem marítima para o Panamá em Guayaquil, no equador. Não consegui, não tive mais tempo e paciência para esperar, e apanhei então o meu primeiro avião da volta ao mundo. Um voo de hora e meia desde Guayaquil até à Cidade do Panamá. A travessia do Pacífico iria durar três semanas. O problema que eu tinha que resolver era o do envio das crónicas para o Expresso, ou seja o problema da Internet.&lt;br /&gt;Quando tento encontrar um motivo de orgulho pessoal nesta volta ao mundo, o único que me parece digno de admiração é nunca ter falhado aos meus compromissos profissionais. Digamos que viajar por muito tempo não é um caso de orgulho, é um caso de índole: sinto-me bem sozinho, não me custou. E viajar, em si, não é mais difícil ou arriscado que estar parado em casa – o movimento, tem os seus riscos e as suas recompensas. (…) Facto paradoxal: quanto mais subdesenvolvido é um país, mais ciber-cafés possui – uma vez que os seus cidadãos não podem comprar computador, alugam um por algumas horas nos vários cafés-Internet espalhados pelas ruas principais dos centros urbanos. (…) A Índia é, tal como a Itália e o México, um mundo dentro do próprio mundo. (…)”&lt;br /&gt;E continuam as suas crónicas, mas por hoje chega, ficam os oitos momentos inesquecíveis para Gonçalo Cadilhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. &lt;strong&gt;La Lbertad, El Salvador&lt;/strong&gt;. “É a casa mais pobre onde eu já entrei. Chá de terra batida, uma divisão única onde dormem todos, telhado só até metade, paredes de chapa ondulada. Dois minutos depois de entrar, estou a escorrer suor como um cantoneiro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. &lt;strong&gt;Rio Amazona, Brasil&lt;/strong&gt;. “Para muitos passageiros, esta é a única vez na vida que farão esta viagem, a única concessão de uma existência arcaica num qualquer município-miniatura perdido na selva, a única extravagância numa rotina cósmica cadenciada pelas enchentes e vazantes do grande rio.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. &lt;strong&gt;Caminho Inca, Peru&lt;/strong&gt;. “A subida é íngreme e massacrante. Demoramos quatro horas para passar dos 3.000 aos 4.200 metros. Falham os pulmões, as pernas e a força de vontade. (…) Isto não é o Caminho Inca. É o Castigo Inca, queixo-me”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. &lt;strong&gt;Salar de Uyuni, Bolívia&lt;/strong&gt;. “Oscilando entre 3.500 e 5.000 metros, as estradas que atravessam o salar não conduzem a lado nenhum. Servem apenas para mostrar aos turistas uma das paisagens mais bonitas e desoladas do mundo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. &lt;strong&gt;Ilhas Mentawai, Indonésia&lt;/strong&gt;. “Há outras coisas a que não estou habituado. A acordar com a brisa da manhã como um bom-dia. A adormecer rodeado de ilhotas e atóis sem nome, línguas de terra firme que se sustentam em tapetes mágicos de coral, jardins suspensos de palmeiras com a dimensão de um palácio da Antiguidade.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. &lt;strong&gt;Mumbai, Índia&lt;/strong&gt;. “A noiva é muito bonita, a decoração da cerimónia acentua-lhe a beleza. Mas na sua expressão passa um véu de tristeza, uma solenidade quase sacrificial. Pergunto à Manasi se é um casamento de amor.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. &lt;strong&gt;Bamian, Afeganistão&lt;/strong&gt;. “Recito uma mea culpa por todas as vezes que usei as palavras ‘primordial’, ‘arcaico’, ‘devastado’ para descrever um país, um povo, uma realidade. (…) Foram mal empregues, essas palavras mereciam ficar à espera desta terra primordial e devastada.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. &lt;strong&gt;Ararat, Turquia&lt;/strong&gt;. “Uma plenitude espiritual inédita acompanha-me na subida para o cume de Ararat. É a noite mais intensa, mágica, da minha vida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui a um tempo sou eu que vou partir, e gostava que fosse assim.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-109706535205479453?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/109706535205479453/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=109706535205479453&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109706535205479453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109706535205479453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/10/dezanove-meses-e-38-pases-depois.html' title='Dezanove meses e 38 países depois'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-109503563504996569</id><published>2004-09-12T21:31:00.000+01:00</published><updated>2004-09-13T01:33:55.050+01:00</updated><title type='text'>Febre de Sábado à noite</title><content type='html'>Sábado à noite. Maquilhada e vestida a rigor. Motor preparado para arrancar. Partida: Alcobaça. Chegada: Sítio (na Nazaré).&lt;br /&gt;Este fim-de-semana decorreram as aclamadas (para quem é de lá) festas do Sítio. Eu decidi ir, insisti com as minhas primas e argumentei dizendo que seria uma noite de folia. E foi.&lt;br /&gt;A feira estava apinhada de gente, ouvia-se de cinco em cinco segundos (memória dos peixes) a voz dos anunciantes dos carrinhos de choque, os ciganos que teimavam gritar: “é para dar valor ao que é roubado”, e o frenético anunciante do saltamontes louco (antigo canguru, ou na feira popular a antiga tarântula). Eu achei que aquela festa era um motivo mais que suficiente para fazer uma visita ao passado, e assim foi. Toca de gastar dinheiro nas fichas dos carros de choque. Agora com carta de condução senti que poderia fazer muito mais naquela pista, e lá vou eu, para a auto-estrada luminosa. Vira para esquerda, vira para a direita, guina para o lado, e aí está…o primeiro acidente, mesmo na curva mais apertada do distrito. Um choque frontal, gravíssimo. Por momentos até pensei…será que bati contra algum condutor jeitoso (claro que na feira o meu pensamento fica deturpado, e o que seria antes interessante, passa a ser jeitoso), tive azar, não era jeitoso. E lá continuei, a rir, a cantar o Summer Jam, a bater e a ter acidentes por excesso de velocidade e principalmente por excesso de boa disposição. Passado algum tempo as fichas acabaram, o dinheiro ainda tinha que dar para o Saltamontes Louco e para a tradicional fartura (não deu, foi emprestado).&lt;br /&gt;As minhas primas estavam com algum receio em andar no Saltamontes Louco, que tinha no cimo o belo grilo do Pinóquio. Não liguei nada para o receio delas, sabia que iam adorar. Feita louca vou à cabine e peço três bilhetes, o rapaz dá-me quatro…eu pergunto porquê e ele dá-me um sorriso tímido, aliás um sorriso de quem quer a coisa…não pegou, mas a viagem suplente soube-me bem. Nada como um saltamontes louco para por as ideias no lugar. Protegi as minhas primas, confirmei, desconfirmei e voltei a confirmar a segurança do aparelho, agarrei bem as miúdas e disse-lhes que ia ser espectacular. Estávamos preparadas! De início a sensação no estômago, depois o desapego total. Eu ri-me, elas riram, adorámos. O rapaz na cabine ia cantando, e dizendo e Toma, e Toma, e Toma, terminou?, terminou?, terminou?, quem quer mais? Quero ver os braços no ar, vamos a animar pessoal, e agora para trás, e agora uns para cima, outros para baixo….a banda sonora ideal.&lt;br /&gt; Foi fantástico. Depois a actuação de Pedro Miguéis. Não fiquei para ver, tive a sensação que iria regredir mais do que queria. Saí com um saco de farturas na mão e com um formigueiro na barriga, mas um dos bons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é uma das coisas que não gostaria que mudasse em Portugal. Estas festas das aldeolas, das cidades, dos Portugueses. Passei por uma fase em que era inconcebível ir a este tipo de festas, não queria, achava que não tinham estilo. Entretanto cresci e ganhei algum discernimento. Agora gosto, é sempre sinal de diversão. E este fim-de-semana foi muito bom. Às vezes apetece ser-se mimado pela família, mimar-se a família e regressar a um passado que já vai ficando distante. Para o ano vamos todos. Ficam as direcções dadas, tal e qual, pela minha mãe: “Vais pela rotunda, viras para cima, depois não segues naquela subida que vai para a praça de touros, segues em frente e viras para uma recta com vivendas, pronto é isso.” Tão famosa é a festa, que a mim bastou-me seguir os carros.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-109503563504996569?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/109503563504996569/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=109503563504996569&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109503563504996569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109503563504996569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/09/febre-de-sbado-noite.html' title='Febre de Sábado à noite'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-109374634175124353</id><published>2004-08-28T11:23:00.000+01:00</published><updated>2004-08-29T03:25:41.750+01:00</updated><title type='text'>Eduardo Mãos de Tesoura</title><content type='html'>Numa história fantasia, Edward é quem inventa a neve. Do cimo de uma escada, sobre a forma de anjo. Edward é o Homem Pinóquio. Numa cidade de bonecas, com carros da mesma cor que as casas, e mulheres com os mesmos cabelos que os seus cães, existe um castelo. Um homem desce à cidade. “Antes de ele ter vindo, nunca tinha nevado”. Esta não é uma história sobre neve. É uma história de amor, como outra qualquer, contada pelo imaginário de qualquer um de nós. A primeira coisa que Edward faz quando chega à cidade é amar, num tom onírico. &lt;strong&gt;Personagem sonho&lt;/strong&gt;. Ficam as palavras do Tim Burton, e do Johnny Depp (Homem sonho).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tim Burton&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;” As tesouras são uma invenção interessante, cortam coisas. São um objecto simples, mas lembro-me que quando era miúdo nunca conseguia perceber como é que funcionavam. A imagem de tesouras como mãos é algo que me persegue desde a minha adolescência. É tão dramático não se ser capaz de tocar em nada...&lt;br /&gt;Espero que as emoções no filme sejam razoavelmente universais. Não é uma história nova. É “Frankenstein”. É “O Fantasma da Ópera”. É “O Corcunda de Nôtre Dame”, “King Kong”, “O Monstro da Lagoa Negra” e tantos outros contos de fadas.&lt;br /&gt;Houve uma altura, para aí desde os 3 aos 29 anos (risos) em que eu sentia que simplesmente não me conseguia relacionar com as pessoas. Agora já me sinto melhor, já não estou tão dramático... Sou um depressivo feliz!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Johnny Depp&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;“Foi estranho, porque não existia nada onde pudesse basear a personagem. Edward não é um ser humano, não é um andróide, não é um extra-terrestre. Para mim, ele é como um recém nascido com toda aquela inocência...ou então, é como um cão capaz de amar incondicionalmente.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-109374634175124353?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/109374634175124353/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=109374634175124353&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109374634175124353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109374634175124353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/08/eduardo-mos-de-tesoura.html' title='Eduardo Mãos de Tesoura'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-109357438654225809</id><published>2004-08-27T03:35:00.000+01:00</published><updated>2004-08-27T03:43:23.006+01:00</updated><title type='text'>Round midnight</title><content type='html'>Hoje, dia em que alguém nasceu, alguém morreu, alguém se descobriu, foi-me apresentada a música que procurava. Já conhecia esta música, aliás conhecia até duas versões. Uma dos Gotan Project com o Chet Baker e outra do Miles Davis. Hoje ouvi pelo grupo de jazz “Idiossincrasias”, pela voz da Joana Machado. Chorei. Pela sintonia, pelo arrepio ao sentir que aquela era a música do meu corpo. O som que a minha cabeça dita desde que me lembro, o ritmo que marca a sombra do meu percurso, as notas que estão sempre presentes nos meus sonhos. Esta é a música que move os meus músculos e me faz sorrir. Nunca senti isto antes, e por isso chorei, por sentir que alguma coisa tinha sido feita para mim. Não foi, mas ninguém me pode tirar esta descoberta. Senti que se fechasse os olhos saberia o que viria a seguir. É uma sensação única, a de se sentir que se encontrou a música de uma vida, ou melhor, da vida. Deixo a letra da música que pouco dirá sobre o que senti. Sei que esta não será a música de mais ninguém. Não esta, cantada hoje, a um metro de mim, sobre as minhas lágrimas e com o relógio a bater as doze.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Round Midnight&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It begins to tell,&lt;br /&gt;'round midnight, midnight.&lt;br /&gt;I do pretty well,&lt;br /&gt;till after sundown,&lt;br /&gt;Suppertime I'm feelin' sad;&lt;br /&gt;But it really gets bad,&lt;br /&gt;'round midnight.&lt;br /&gt;Memories always start 'round midnight&lt;br /&gt;Haven't got the heart to stand those memories,&lt;br /&gt;When my heart is still with you,&lt;br /&gt;And ol' midnight knows it, too.&lt;br /&gt;When a quarrel we had needs mending,&lt;br /&gt;Does it mean that our love is ending.&lt;br /&gt;Darlin' I need you, lately I find&lt;br /&gt;You're out of my heart,&lt;br /&gt;And I'm out of my mind.&lt;br /&gt;Let our hearts take wings'&lt;br /&gt;'round midnight, midnight&lt;br /&gt;Let the angels sing,&lt;br /&gt;for your returning.&lt;br /&gt;Till our love is safe and sound.&lt;br /&gt;And old midnight comes around.&lt;br /&gt;Feelin' sad,&lt;br /&gt;really gets bad.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-109357438654225809?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/109357438654225809/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=109357438654225809&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109357438654225809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109357438654225809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/08/round-midnight.html' title='Round midnight'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-109348759278916556</id><published>2004-08-26T11:22:00.000+01:00</published><updated>2004-08-26T03:33:12.790+01:00</updated><title type='text'>Lisboa e o rio</title><content type='html'>“ Velhos desocupados ou vagabundos deitados ao sol, alheios à azáfama dos cacilheiros e do vaivém do rio; crianças em brincadeiras ingénuas, por entre destroços de possíveis glórias de um passado que ignoram; pescadores que com o vão engodo de uma pescaria disfarçam o inconfessado derriço com o rio; namorados que falam de si e do futuro, velhas que falam dos outros e do passado…Mas muitos são os que, por não saberem, não quererem ou não poderem partilhar o jogo, se deixam ficar de fora. Como amantes desdenhados, há os que olham o rio de longe, de miradouros, de pausas improvisadas na barreira que a cidade ergueu diante do rio; há os que o cruzam, indiferentes já, esgotada a novidade pela canseira do vaivém diário entre as margens…&lt;br /&gt;Só a noite põe termo a este jogo, em que nunca é claro quem seduz e quem se esquiva. É então como se o rio se desvanecesse, apenas assinalado pelos raros reflexos dos barcos que o cruzam, ou pelas colunas e paredões de cais quase misteriosos pela sem-razão. Ou então a névoa, que por vezes engole o rio, deixando a ponte sem margem onde poisar, como que lançada entre a cidade e o céu.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                  Lisboa A-Ver-o-Tejo, Zé lima&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo muito de Lisboa. É notório que estou apaixonada por esta cidade. Considero-a minha. Volto a repetir, Lisboa só existe para mim quando a vejo e isso torna-a irremediavelmente minha. É uma personagem como qualquer pessoa na minha vida. E como não tenho vergonha de o assumir, e como aliás é um facto que ultimamente tenho dificuldade em esconder, anuncio aqui que estou apaixonada por Lisboa. E adoro morar fora de Lisboa, para todos os dias ter o prazer de lá ir, e a tristeza de lá sair. É melhor assim, guardar alguma distância, se bem que houve noites de loucura e dependência em que tive irremediavelmente de passar por lá a noite. Abraçada à minha cidade, dormimos juntas de mão dada.&lt;br /&gt;Porque mesmo com a vista cansada, nada supera o meu rio Tejo. Mais um tributo a ti, Cidade-Poema. Cidade-Postal.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-109348759278916556?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/109348759278916556/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=109348759278916556&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109348759278916556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109348759278916556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/08/lisboa-e-o-rio.html' title='Lisboa e o rio'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-109334821278621828</id><published>2004-08-24T12:47:00.000+01:00</published><updated>2004-08-24T12:50:12.786+01:00</updated><title type='text'>Ah touro lindo!</title><content type='html'>Para quem pensava que aquele monte de entulho no Campo Pequeno era definitivo, aqui vai uma boa notícia. A reconstrução da Praça de Touros do Campo Pequeno está bastante avançada e finalmente é público o projecto que foi levado a cabo. Como seria de esperar: um centro comercial. Bom, o centro comercial não é o projecto principal, ao que parece vai ter uma média zona comercial, restaurantes, um museu tauromáquico, oito salas de cinema e a praça propriamente dita que vai continuar a ser palco de tourada, mas também de concertos, teatro e espectáculos de circo.&lt;br /&gt;Depois de três anos de linhas amarelas e polícias sinaleiros a inverter direcções, está praticamente acabado o grande projecto: “Praça de Touros do Campo Pequeno”. Pena, já me ia habituando às empilhadoras, ao jardim reduzido a metade e à leve brisa de pó que traçava um destino desde o Saldanha até Entre Campos. Vai, de certeza, ser bonito assistir a um concerto naquela praça. Fica a boa notícia. Alguma coisa em Lisboa está prestes a terminar.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-109334821278621828?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/109334821278621828/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=109334821278621828&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109334821278621828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109334821278621828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/08/ah-touro-lindo.html' title='Ah touro lindo!'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-109322511108348119</id><published>2004-08-23T02:32:00.000+01:00</published><updated>2004-08-23T14:57:36.153+01:00</updated><title type='text'>Miúda à moda antiga</title><content type='html'>Decidi retirar o endereço de e-mail deste blog. Quero provar a mim mesma que escrevo acima da vontade de que me leiam. Ou que me comentem e elogiem. No fundo quero provar que não escrevo para alguém, um alguém para o qual fazemos tudo. Esse alguém que existe como linha de partida e chegada na nossa conduta. Apercebi-me disso hoje, ao ler um e-mail. Quero provar a mim mesma que este não é um blog que anuncia as minhas qualidades e me põe atrás da linha dos solteiros desesperados. Não é por aí. Não tenciono fazer dos meus textos linhas directas para a minha personalidade e com isso despedaçar corações. Não procuro, pelo menos desta maneira. Procuro lá fora, naquilo que se chama o mundo real. Para mim, in ou felizmente o amor serve-se acompanhado de contacto visual, ou auditivo, ou de qualquer um dos sentidos. Não consigo sequer cair nos jogos cibernéticos, é impensável desenvolver uma coisa que no início não está completa. Eu pelo menos não começo um puzzle se souber que lhe faltam peças. É verdade que também cá fora tudo se resume a probabilidades, mas acreditar que consigo encontrar alguém desta forma e que se identifique comigo fisicamente, parece-me depositar demasiadas esperanças na probabilidade. Que isto não signifique que eu não acredito em contos de fada. Posso ou não acreditar, enfim há contos e contos. Seja aqui, ou de outro lado vão sempre existir histórias boas e más.&lt;br /&gt;A verdade é que a nossa condição nos impele para a procura de um alguém que poderia gostar de nós e de quem poderíamos gostar. Principalmente quando nos sentimos sozinhos. Mas quem já sabe lidar com isso, quem acredita que acima de tudo se deve atribuir um grau de normalidade e banalidade aos desencontros e às temporárias solidões, sabe que não é através de um blog em forma de anúncio que se chega lá. Não tenciono nunca apresentar uma lista com as características do meu homem-sonho. Principalmente porque sei que parte de qualquer paixão é exactamente impossível de se colocar numa lista, porque simplesmente não se explica.&lt;br /&gt;Acredito que muitas pessoas que escrevem, que falam na Internet possam ser compatíveis, mas também acredito que lá por se concordar com alguém, ou com alguma coisa que se escreveu que isso não signifique nada por aí além. Eu concordo e discordo com tanta coisa. Concordo com quem não amo e tantas vezes discordo com quem amo. Enfim, não me parece o barómetro exacto do que é o amor. Mas também acho que cada um tem o seu barómetro, e este pelos vistos é o meu. Acho que se cá fora já não é fácil, muito menos aqui. Por isso anuncio a retirada do meu e-mail, por duas razões: não quero que ninguém se iluda, eu não sou o que escrevo e gosto de acreditar que não sou de forma alguma idealizada pelo que escrevo. E depois, porque também eu não quero idealizar e muito menos encontrar num e-mail as soluções para as minhas questões amorosas. A Internet é fantástica, mas um saco de diminutas probabilidades. Vou-me dando bem do outro lado da linha, e como sou tão adaptativa quanto o ser humano pode ser, não conheço outra maneira de me apaixonar senão a cá de fora. Gosto de acreditar que quando estiver tão apaixonada que até dói, que me vou levantar para ir ter com esse homem para lhe dizer olá, ou adeus, que vou acordar mais cedo e cantar até o ver, e que não vou simplesmente ligar o computador. Por isto desisto de querer fazer deste blog um anúncio à minha pessoa, quando até pode ser, mas pelo menos assim camuflo a verdadeira razão e sinto-me mais feliz comigo. E esta vai sendo a minha prioridade.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-109322511108348119?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/109322511108348119/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=109322511108348119&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109322511108348119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109322511108348119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/08/mida-moda-antiga.html' title='Miúda à moda antiga'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-109262133159957785</id><published>2004-08-15T10:55:00.000+01:00</published><updated>2004-08-20T11:23:35.346+01:00</updated><title type='text'>Tarte de Bagdad com maçã</title><content type='html'>Na viagem para a praia, acompanhada dos meus pais, apercebi-me de como vão os dias de hoje. Ouvíamos a TSF e ao bater das 13h surgem as notícias. O som estava alto e ouve-se em surround que tinha explodido mais uma bomba em Bagdad, dando origem a 5 mortos e a dezenas de feridos. A minha mãe diz: “estas macieiras estão carregadas de maçãs, a chuva não as estragou!”. Mãe não te aponto o dedo, acho até que por instantes foste um Portugal inteiro. Parei para pensar e apercebi-me que esta guerra já dura há muito tempo. O suficiente para ser banalizada. Que mecanismo é este que nos faz ficar horrorizados e chocados numa dada altura e depois esquecer e comentar macieiras? Que capacidade de adaptação é esta que nos permite banalizar a condição humana? Só me questiono se quando realmente estamos chocados, se esses sentimentos são providos de alguma verdade.&lt;br /&gt;Mundo: rebentou uma bomba numa cidade já caótica. Mundo: deixou de existir história numa cidade. Quem se imagina numa Lisboa sem um Bairro Alto, sem uma Baixa, ou num Porto sem uma Ribeira? Estou chocada, não com a incapacidade de nos preocuparmos, mas com esta terrível adaptação e desunião. Qual é o tempo que dura entre a preocupação e a aceitação/vulgarização?&lt;br /&gt;Já não é novidade e por isso já não nos diz nada. O Cidadão de hoje precisa de estímulo e um país a ser destruído, sem ainda não se saber bem porquê, não constitui novidade nenhuma. Porque se viu nos filmes, porque se jogou na Playstation, porque hoje em dia há sempre alguma coisa a ser destruída. A condição humana está mal definida. O pior é que não escrevo para um mundo, mas escrevo na primeira pessoa, consciente que é assim que existo, mais preocupada com os saldos do que com mais uma explosão em Bagdad.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu pai já me tinha alertado: "a guerrilha dura muito tempo, podes ter a certeza que estamos perante outro Vietname." A mim não me tapam mais os olhos.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-109262133159957785?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/109262133159957785/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=109262133159957785&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109262133159957785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109262133159957785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/08/tarte-de-bagdad-com-ma.html' title='Tarte de Bagdad com maçã'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-109227857303651040</id><published>2004-08-12T03:41:00.000+01:00</published><updated>2004-08-12T03:46:38.236+01:00</updated><title type='text'>Passear</title><content type='html'>Passear vem do latim ou do grego e significa: andar de costas para o sol, sorriso escancarado, tempo limpo, quente mas com uma brisa suave, mãos caídas para o lado, sombras no vestido, folhas nos pés e céu azul no meio de árvores pré-históricas. Esta é a definição que existe no meu dicionário.&lt;br /&gt;Passear, é o que faço nos dias de hoje. Passeio por Lisboa, cidade que me pertence, passeio sozinha por planos e projectos que se avizinham. Quando se sente sozinho, aproveita-se para passear, digo eu, diz a minha tradição. Passear de barriga cheia, de sorriso aberto. Porque é quando se passeia sozinho que se percebe que se está bem. E Lisboa é bonita acompanhada, ou servida sozinha. Sim, tem chovido. O sol é mais bonito. Mas a verdade é que há muito que o tempo deixou de determinar a disposição. Faz sol cá dentro, faça chuva ou sol lá fora. E é na altura em que estrangeiros, agarrados aos Top Ten Lisboa, passeiam frenéticos por monumentos, que descubro que a cidade é tão grande quanto as minhas vontades, e tão bonita quanto a minha imaginação. Cidade-Poema. Este ano não vou nem fui visitar outros ares, nem os comuns, nem os que são novos. Fico e fiquei por cá, a conhecer uma cidade, e a sensação de se estar sozinho em casa.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-109227857303651040?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/109227857303651040/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=109227857303651040&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109227857303651040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/109227857303651040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/08/passear.html' title='Passear'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-108919107587351638</id><published>2004-07-07T10:03:00.000+01:00</published><updated>2004-07-07T10:04:35.873+01:00</updated><title type='text'>Para os amantes dos matraquilhos</title><content type='html'>À imagem de tardes passadas atrás de matrecos junto o primoroso início do Carteiro de Pablo Neruda. Pela beleza, pelo filme em si e pela visão de que os matraquilhos existem para todas as classes. Mario Ruoppolo entra num bar pequeno, semelhante às verdadeiras tascas de Portugal, e vislumbra Beatrice Russo, sozinha, a jogar matraquilhos e a brincar com as bolas com uma incrível sedução. Este é o primeiro encontro de Mario e Beatrice. E se a vida deste carteiro muda com o encontro desta mulher, também o de muitas crianças muda com a invenção dos matraquilhos. &lt;br /&gt;Este post é dedicado aos meus amigos que este ano passaram tardes de supremo prazer a jogar matrecos. A verdade é que há um tempo atrás ouvi, por acaso, na rádio que o inventor dos matraquilhos ia ser homenageado no Porto. Nunca pensei como é que este jogo foi inventado, e muito menos na possibilidade do seu inventor estar vivo. Por isso considero esta descoberta um verdadeiro achado.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alejandro Finisterre &lt;/strong&gt;é o nome do mentor deste jogo. Galego, ferido pela aviação de Franco, inventa os matraquilhos para divertir as crianças mutiladas da guerra civil de Espanha. Alejandro teve uma vida difícil, passada entre guerras, entre conflitos e injustiças. Diz que nada lhe aconteceu por vontade, mas infelizmente tudo por acaso. Mesmo os matrecos. A certa altura da sua vida é levado para a Catalunha, para um hotel onde se reuniam refugiados. Ocupava o seu tempo olhando para o pátio do hotel em frente, onde vislumbrava as brincadeiras de crianças. Alguns, os que podiam, jogavam futebol. Outros, apenas olhavam, uma vez que estavam presos a muletas. Alejandro habituado a desafios começa a desenvolver um projecto cuja ideia era: “Se existe ténis de mesa, porque não há-de existir futebol de mesa?”. Finisterre contacta um carpinteiro e juntos concebem este projecto. No natal de 1936 as crianças, mesmo as mutiladas, puderam jogar futebol. De certo que os sorrisos pagaram este projecto. &lt;br /&gt;Este ano foi homenageado em Portugal, onde uma banda, os Tocá Rufar, prestaram um tributo à sua invenção. Tocaram com mesas de matrecos, deixando Alejandro emocionado. Este homem sabe que os matraquilhos habitam o imaginário de milhares de crianças. Tardes de Verão passadas atrás das mesas em partidas intermináveis. Frases que se inventam durante o jogo. Apostas que parecem ser irrefutáveis e irreversíveis. Jogos de equipas, de competição. Momentos de alegria, e alguns de tristeza. No final sempre a mesma frase: “Esta é a bola que define o jogo. Quem marcar esta é o vencedor. Os campeões do universo.” Um tributo a Alejandro Finisterre, pelo altruísmo.&lt;br /&gt;Um tributo ao futebol, pela união.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-108919107587351638?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/108919107587351638/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=108919107587351638&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108919107587351638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108919107587351638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/07/para-os-amantes-dos-matraquilhos.html' title='Para os amantes dos matraquilhos'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-108919098357485861</id><published>2004-07-07T10:01:00.000+01:00</published><updated>2004-07-07T10:03:03.573+01:00</updated><title type='text'>Aventuras de João Sem Medo</title><content type='html'>Panfleto Mágico em forma de romance&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O homem sem cabeça&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Era uma vez um rapaz chamado João que vivia em Chora-Que-Logo-Bebes, exígua aldeia aninhada perto do Muro construído em redor da Floresta Branca, onde os homens, perdidos dos enigmas da infância, haviam estalado uma espécie de Parque de Reserva de Entes Fantásticos.&lt;br /&gt;Apesar de ficar a pouca distância da povoação, ninguém se atrevia a devassar a floresta. Não só por se encontrar protegida pela altura do Muro, mas principalmente porque os choraquelogobebenses – infelizes chorincas que se lastimavam de manhã até à noite – mal tinham força para arrastar o bolor negro das sombras, quanto mais para se aventurarem a combater bichas de sete bocas, gigantes de cinco braços ou dragões de duas goelas. Preferiam choramingar, os maricas! Agachados em casebres sombrios, enquanto lá por fora chovia com persistência implacável (como se as nuvens estivessem forradas de olhos) e dos milhares e milhares de chorões – as árvores predilectas dessa gente – pingavam folhas tristes. Tudo isto incitava os habitantes da aldeia a andarem de monco caído, sempre constipados por causa da humidade, e a ouvirem com delícia canções de cemitério ganidas por cantores trajados de luto, ao som de instrumentos plangentes e monótonos.&lt;br /&gt;O único que, talvez por capricho de contradizer o ambiente e instinto de refilar, resistia a esta choradeira pegada, era o nosso João que, em virtude duma contínua ostentação de bravata alegre e teimosia na luta, todos conheciam por João Sem Medo.&lt;br /&gt;Ora um dia, farto de tanta choraminguice e de tanta miséria que gelava as casas e cobria os homens de verdete, disse à mãe que, conforme a tradição local, lacrimejava no seu canto de viúva:&lt;br /&gt;- Mãe: não aturo mais isto. Vou saltar o Muro.&lt;br /&gt;A pobre desatou logo aos berros de súplica que abalaram o Céu e a Terra:&lt;br /&gt;- Ah! Não vás, não vás, meu filho! Pois não sabes que essa Floresta Maldita está povoada de Canibais Mágicos que se alimentam de sangue de homens? Sim, meu filho, de sangue humano bebido por caveiras. Não vás! Não vás!&lt;br /&gt;E durante horas não cessou de barregar, histérica:&lt;br /&gt;~- Ai que não torno a ver o meu rico filhinho!&lt;br /&gt;Mas as implorações da mãe não impediram que, na manhã seguinte, João Sem Medo se esgueirasse de Chora-Que-Logo-Bebes e se dirigisse à socapa para o tal Muro que cercava a floresta e onde alguém escrevera este aviso: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR.&lt;br /&gt;Nem leu p palavreado do letreiro até ao fim. Graças ao arrimo de uma trepadeira providencial e auxiliado pelas sentinelas invisíveis que guardavam aquela selva misteriosa e pretendiam facilitar-lhe a entrada, não sei com que intuitos secretos, chegou com agilidade ao topo da muralha. Uma vez lá em cima, o problema simplificou-se mais ainda. Outra trepadeira miraculosa e pronto: João Sem Medo desceu a pulso, com os pés a apoiarem-se aqui e acolá nas junturas das pedras esverdeadas de musgo escorregadio. E assim conseguiu alcançar o solo da floresta que não tardou a explorar com lentidão prudente de quem receia ciladas e monstros ocultos no mato.&lt;br /&gt;Ao princípio nada descobriu. Pela abóbada densa da folhagem penetravam a custo raríssimos raios de sol que, de espaço a espaço, acendiam manchas claras no chão fofo de séculos de líquenes, cogumelos apodrecidos e ramos secos.&lt;br /&gt;Só passado um bom quarto de hora, quando os olhos se habituaram à meia treva, João Sem Medo deu conta desse espectáculo na verdade surpreendente: as árvores espreguiçavam-se, enquanto os pássaros, em lugar de cantarem, abriam os bicos em bocejos melodiosos. Ao mesmo tempo, alongadas na terra, com as cabecinhas de cores nos travesseiros das ervas, as flores ressonavam altos perfumes intensos. E as fontes embaladoras desdobravam o seu vagaroso sussurro de tédio dormente. O próprio João Sem Medo começou a sentir um torpor de morte provisória a pesar-lhe nas pálpebras e a tolher-lhe os braços e as pernas. De tal forma que resolveu acordar-se com dois ou três gritos e insultos que vararam a Floresta Adormecida:&lt;br /&gt;- Então aqui não vive ninguém? Nem nereidas, nem faunos, nem gnomos, nem nada? Foi para esta pasmaceira que eu escalei o Muro, digam-me lá?&lt;br /&gt;E, após quilómetros de marcha sonâmbula aos pontapés às pedras e aos arbustos para não adormecer, acabou por desembocar numa vasta clareira batida pelo sol, onde se deteve, os olhos ofuscados pela luz súbita.&lt;br /&gt;Quando os reabriu, verificou com um sorriso de compreensão irónica que da clareira partiam dois caminhos, os dois caminhos clássicos de todas as histórias de encantos e prodígios: um asfaltado, cómodo, ladeado de amendoeiras em flor; o outro, pedregoso e eriçado de espinhos, urtigas e urzes.&lt;br /&gt;- Bem – pensou. – Cá estão os dois caminhos fatais: o do Bem e o do Mal. (Como se houvesse caminhos nítidos do Bem e do Mal!). Já esperava por eles. Agora, para completar a comédia, falta apenas a respectiva fada…Uma fada a valer, de varinha de condão, que regule o trânsito à laia de polícia sinaleiro. Lá sem fada é que eu não passo.&lt;br /&gt;E pôs-se de novo aos gritos de troça:&lt;br /&gt;- Eh! Fada dos Bosques! Aparece, rica fada da minh’alma.&lt;br /&gt;Então – ó pasmo dos pasmos! – João Sem Medo viu sair da espessura da floresta um ser prodigioso que de longe parecia uma mulher jovem e bela, cabelo loiro até à cintura, três estrelas de prata na testa, varinha na mão direita, roca na mão esquerda, túnica bordada de rubis e esmeraldas, chapinsdellatina e tudo o mais que as fadas costumam usar nos bailes de Entrudo.&lt;br /&gt;No primeiro momento contemplou-a, deslumbrado. Mas, à medida que a observava mais de perto, o sorriso inicial desfez-se pouco a pouco em caretas de desconfiança.&lt;br /&gt;- És a fada dos Dois Caminhos? – inquiriu duvidoso. – Palavra? Mostra cá o bilhete de identidade.&lt;br /&gt;- Não acreditas? – protestou, para desviar a conversa, a hipotética fada com voz aflautada, voz de máscara aos guinchos. – Sim, sou a Fada Infalível, a Fada Lugar-Comum…&lt;br /&gt;- Acredito, acredito…- concordou o rapaz por zombaria complacente.&lt;br /&gt;E insistiu em examiná-la, com manifesta vontade de rir. E com razão. Pois a pseudofada parecia…Parecia, não. Era…Era mesmo um homem vestido de mulher, como se deduzia no desarrumo da cabeleira postiça à banda, no negror evidente da barba mal disfarçada por várias camadas de pó-de-arroz, além da maneira canhestra e hirta de andar e da falta daqueles mil e um adenames femininos tão difíceis de imitar pelos homens. O jeito de pentear o cabelo com os dedos, por exemplo.&lt;br /&gt;Embora não desejasse humilhá-lo, João Sem Medo não evitou um incondescendente riso de chacota.&lt;br /&gt;- Que queres filho? – explicou a fada falsificada, vexadíssima, a tropeçar na túnica. – Quando telefonaram para a repartição da 3ª Mágica a requisitar uma funcionária, só me encontrava lá eu, que sou contínuo, e uma fada muito velhinha, muito perra, entrevada de reumatismo e com mais de 50.000 anos de serviço activo, quase na idade da reforma por inteiro, coitadinha! E então, por uma questão de prestígio, ofereci-me para esta fantochada. Nem quero pensar no que diria o Mago-Mor se não mandássemos uma fada válida para os Dois Caminhos. Pregava-nos uma descompostura tremenda. Foi por isso que me mascarei e vim…Não julgues, porém, que não percebo de artes mágicas!&lt;br /&gt;E estadeou cheio de soberba vaidosa:&lt;br /&gt;- Aqui, onde me vês, transformo com um piparote homens em ratos. Até deito flores pela boca. E sapinhos…Queres ver?&lt;br /&gt;- Não, não – interrompeu João Sem Medo.&lt;br /&gt;- Acredito. Embora não entenda porque, sabendo tu tanto de artes mágicas, não te transfiguraste logo em mulher em vez de recorrer a esses ridículos caracóis postiços.&lt;br /&gt;- Porque, segundo a regra primeira da Constituição Secreta do Mundo, só as aparências são susceptíveis de mudança e nunca o que existe de mais profundo nos seres. O sexo, por exemplo. Por mais que isso te espante, ser-me-ia fácil transformar em rato, mas nunca em rata.&lt;br /&gt;- Bem, bem. Deixa-te de lérias – impacientou-se João Sem Medo. – E, já agora, toma a sério o teu papel de fada e aconselha-me qual dos caminhos devo seguir: o asfaltado ou o dos pedregulhos?&lt;br /&gt;- Olha, menino – elucidou o contínuo, de roca debaixo do sovaco, a aconchegar a cabeleira para esconder melhor o luzidio da careca –, o bom caminho conduz à Felicidade. E, o mau, à infelicidade…"                        &lt;br /&gt;                            (José Gomes Ferreira, in &lt;em&gt;Aventuras de João Sem Medo&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas noites em que dava o Vitinho, noites da minha infância, os meus pais costumavam-me ler ou contar histórias. Eu gostava de uma trilogia da Disney que tinha a história do João e o feijoeiro, o Ali Bá-bá e o Rei-pescador. Entre a fita-cola a segurar a folhas e as marcas de caneta, percebe-se que aqueles livros fizeram parte de mim, ainda fazem claro. Mas os meus pais sempre me leram ou contaram histórias pequenas. Nos filmes americanos aparecem sempre avós, ou pais que lêem livros grandes. Vão lendo devagar, cada dia, cada página, deixando que a criança desenvolva o imaginário. Esta transcrição que passei é de um livro do &lt;strong&gt;José Gomes Ferreira&lt;/strong&gt;. Li o livro com 19 anos, e adorei. Fiquei pasmada. Lembrou-me a História Interminável, mas com um toque de humor bastante requintado. É delicioso para ler em qualquer altura. Na praia com calor, na cama com a chuva a bater nas vidraças. E é perfeito para ler aos filhos que virão num futuro mais próximo ou mais longínquo. João Sem Medo, aquela pessoa pequena que vive dentro de nós e que nos faz, às vezes, querer jogar às escondidas, rebolar na areia, fazer de tubarão no mar, mandar papelinhos para as costas de amigos, enfim, recordar momentos vale-a-pena. Uma visão para além da de Harry Potter e Frodo. Merece ser lido este livro, nem que seja por ser de um autor português.&lt;br /&gt;Publicações Dom Quixote, literatura de bolso. É barato, nem sequer percam tempo a pensar se o querem comprar, comprem! Vá não custa. Já está!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-108919098357485861?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/108919098357485861/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=108919098357485861&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108919098357485861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108919098357485861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/07/aventuras-de-joo-sem-medo.html' title='Aventuras de João Sem Medo'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-108919073952615236</id><published>2004-07-07T09:58:00.000+01:00</published><updated>2004-07-07T09:58:59.526+01:00</updated><title type='text'>Alcoólicos Anónimos</title><content type='html'>De forma directa ou não o alcoolismo têm estado presente na minha vida. Não quero desabafar, ou pensar sobre o caso. Simplesmente lembrei-me de prestar um tributo a quem se começou a preocupar com esta doença. Encontrei um nome: &lt;strong&gt;Bill Wilson&lt;/strong&gt;. Deixo a transcrição de uma vida diferente. Embora esta seja uma transcrição de um artigo Times\Visão, tenho a pedir desculpa pelas passagens que se assemelham aos casos de vida da TVI. Enfim, o jornalismo não é imparcial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O tenente Bill Wilson nem pensou duas vezes quando o faxina lhe ofereceu uma bebida. O jovem militar de 22 anos não pensou na maneira como o álcool destruíra a sua família. Não pensou no movimento pela abstinência da sua juventude, na sua amada noiva, Lois Burnham, ou seque no seu talento para comando. Não pensou em coisa nenhuma. «Tinha encontrado o elixir da vida», escreveu. O último copo de Wilson, 17 anos mais tarde, quando o álcool já lhe destruíra a saúde e a carreira, desencadeou um movimento que alteraria por completo a sua vida e a de milhões de outros alcoólicos. Internado pela quarta vez no Towns Hospital de Manhattan em 1934, Wilson teve um despertar espiritual – um raio de luz branca, uma consciência libertadora de Deus – que o conduziu à criação dos Alcoólicos Anónimos e ao revolucionário programa em 12 fases – a bem sucedida cura para o alcoolismo. Esses 12 passos geram também programas bem sucedidods para desordens alimentares, de jogo, provocadas pela droga, por dívidas ou pela viciação no sexo. Aldous Huxley chamou a Bill Wilson «o maior arquitecto social do nosso século».&lt;br /&gt;William Griffith Wilson cresceu numa cidade pobre do Vermont. Quando tinha 10 anos, o pai, que se embriagava, foi para o Canadá, e a mãe mudou-se para Bóston deixando a criança doentia com os avós. Primeiro como soldado, depois como empresário, Wilson bebia para aliviar as depressões e para festejar os êxitos na Bolsa. Casados em 1918, ele e Lois percorreram o país de motocicleta e pareciam um casal promissor e próspero. Em 1933, porém, viviam da caridade em casa dos pais, na Clinton Street de Brooklyn, em Nova Iorque. Wilson transformara-se num bêbedo sem préstimo nenhum, que desdenhava a religião e vivia da mendicidade.&lt;br /&gt;Levado por um amigo que deixara de beber, Wilson foi aos encontros do Grupo de Oxford, uma sociedade evangélica fundada na Grã-Bretanha por Frank Buchman, originário da Pensilvânia. E submeteu-se a uma cura com barbitúricos e beladona chamada «purga e vómito», que era o melhor tratamento para alcoolismo na época, complementada com a reflexão sobre frases das reuniões do Grupo de Oxford de do livro Variedades de Experiência religiosa, de Carl Jung e William James, que lera no Hospital. Passados cinco meses sóbrio, Wilson foi para Akron, no Ohio, em negócios. O negócio gorou-se, e ele quis beber um copo. Estava no átrio do Mayflower Hotel, atraído pelos sons que vinham do bar. Convenceu-se subitamente de que, ajudando outro alcoólico, poderia salvar-se.&lt;br /&gt;Através de uma série de telefonemas desesperados, encontrou o Dr. Robert Smith, um ébrio céptico cuja família o convenceu a ceder 15 minutos a Wilson. O seu encontro durou horas, e essa data, 10 de Junho de 1935, é a data oficial de nascimento dos Alcoólicos Anónimos, que se baseia na ideia que só um alcoólico pode ajudar outro alcoólico. «Devido à nossa afinidade no sofrimento», escreveu Bill, «os nossos canais de contacto sempre estiveram carregados com a linguagem do coração».&lt;br /&gt;A casa da Clinton Street tornou-se um paraíso para os ébrios. «O meu nome é Bill W., e sou alcoólico», dizia aos convidados e visitantes nas reuniões. Para divulgar a iniciativa, começou a escrever os seus princípios para a sobriedade. Cada capítulo era lido pelo Grupo da Clinton Street e enviado a Robert Smith, em Akron, para ser editado. O livro teve uma dezena de títulos provisórios, como O Caminho de Saída e O Copo Vazio. O volume, de 400 páginas, intitular-se-ia finalmente Alcoólicos Anónimos -  e passou a ser esse mesmo o nome do grupo.&lt;br /&gt;Mas o livro, apesar de bem recenseado, não vendia. Wilson tentou sem êxito viver como vendedor de arames e cordas. Os A.A tinham cerca de uma centena de membros, mas alguns ainda bebiam. Entretanto, em 1939, o banco executou a hipoteca da casa da Clinton Street, e o casal Wilson passou anos sem abrigo, vivendo em quartos emprestados e, a certa altura, em alojamentos temporários por cima da seda dos A.A, na Rua 24 de Manhattan. Em 1940, Jonh Rockfeller Jr. Organizou um jantar dos A.A e ficou suficientemente impressionado para criar um fundo destinado a facultar 30 dólares por semana a Wilson – nada mais. O magnata achou que o dinheiro iria corromper o espírito do grupo.&lt;br /&gt;Então, em Março de 1941, o semanário The Saturday Evening Post publicou um artigo sobre os A.A e, subitamente, começaram a chegar milhares de cartas e de pedidos. A presença nas reuniões duplicou e triplicou. Em Doze Tradições, Wilson fixou os estatutos dos Alcoólicos Anónimos. Criava assim um projecto estável para uma organização com o máximo de liberdade individual e sem acumulação de poder e dinheiro. O anonimato assegurava a humildade. Não eram exigidas contribuições; nenhum membro contribuiria com mais de mil dólares.&lt;br /&gt;Hoje, mais de 2 milhões de membros dos A.A em 150 países efectuam reuniões em salões paroquiais, salas de conferência de hospitais, e ginásios escolares, seguindo a estrutura informal de Wilson. Os membros identificam-se como alcoólicos e contam as suas histórias; não há regras, nem requisitos de admissão, e muitos usam apenas o primeiro nome.&lt;br /&gt;Wilson acreditava que a chave para a sobriedade é uma mudança de ânimo. Os 12 passos sugeridos incluem um reconhecimento de impotência, um inventário moral, uma restituição pelo mal feito, um apelo ao serviço e a entrega a um Deus pessoal. Nos A.A, Deus pode ser qualquer coisa, desde um radiador a um patriarca. Influenciada pelos A.A, a Associação Médica Americana redefiniu o alcoolismo como uma doença crónica, não uma quebra da força de vontade.&lt;br /&gt;À medida que os Alcoólicos Anónimos cresceram, Wilson tornou-se o seu principal símbolo. Ajudou a criar uma estrutura directiva para o programa – o Conselho de Serviço Geral -  e abriu mão do seu poder. «Passei a ser mais um aluno do movimento A.A do que o professor», escreveu. Fumador já entrado nos 70, morreu de pneumonia e enfisema em Miami, onde fora para tratamento em 1971. Para o fim, aderiu aos princípios e à força do anonimato. Foi sempre Bill W., recusando-se a receber dinheiro como pagamento de conselhos dados ou do desempenho de tarefas directivas. Rejeitou muitas honrarias, incluindo um título pela Universidade de Yale. E declinou a oferta de revista Time para o colocar na capa – mesmo de costas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-108919073952615236?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/108919073952615236/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=108919073952615236&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108919073952615236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108919073952615236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/07/alcolicos-annimos.html' title='Alcoólicos Anónimos'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-108844533002372911</id><published>2004-06-28T18:50:00.000+01:00</published><updated>2004-06-28T18:55:30.023+01:00</updated><title type='text'>Obrigada</title><content type='html'>Quando coloquei um endereço de email no blog achei que nunca o iria utilizar. Claro que se fosse mesmo verdade o que eu acabei de dizer que nunca teria colocado o endereço. Mas na verdade não achei que alguém escrevesse tão rápido. Obrigada aos crítcos que me presentearam com opiniões, elogios e ideias. Soube-me bem. Obrigada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-108844533002372911?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/108844533002372911/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=108844533002372911&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108844533002372911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108844533002372911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/06/obrigada.html' title='Obrigada'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-108844234140125831</id><published>2004-06-28T18:04:00.000+01:00</published><updated>2004-06-28T18:05:41.403+01:00</updated><title type='text'>Como vai a nossa cidade</title><content type='html'>A noite está mais bonita. Pelo menos em Lisboa. Quem cá mora, ou quem cá passeia já deve ter percebido que está tudo mais iluminado. Para quem não sabe o que se passa, parece mais uma ideia megalómana dos comerciantes de Lisboa, que pelas alturas do Natal (alturas de Natal que nos dias de hoje começam em Setembro) iluminam as suas ruas, as suas lojas, as suas vidas! Mas a verdade é que Lisboa está mais iluminada porque está acontecer a primeira Bienal Internacional da Luz de Lisboa – a Luzboa. O objectivo é: “repensar a iluminação da cidade de forma artística e poética!”. Digam lá se isto não é bonito. De forma artística e poética, que bonito, hein! Passear pelos poemas espalhados pela cidade, oh vida, oh infortúnio!!!&lt;br /&gt;Eu já vi um destes projectos e confesso que fiquei estarrecida. Está mesmo muito bonito. Deixo aqui as coordenadas para uma possível agenda cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Miradouro da Graça:&lt;/strong&gt; projecto de Frédérique de Gravel e Virgine Nicolas. O trabalho intitula-se “ Bellas Sombras” e integra jardins e a Igreja da Senhora do Monte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aqueduto das Águas Livres:&lt;/strong&gt; ao que parece este é um dos projectos mais espectaculares da Luzboa. Levado a cabo pela checa Magdalena Jetelová, mas só estará terminado em 2006. Que comece a contagem decrescente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Teatro Municipal de S.Luiz:&lt;/strong&gt; “Sedução” é o nome do trabalho. Pertence a Jean-Luc Vilmouth. O projecto está presente na sala Jardim de Inverno, mas estende-se à fachada do edifício e evoca o mundo dos actores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eléctricos de Lisboa:&lt;/strong&gt; Yann Kersalé vestiu os eléctricos de Lisboa com milhares de luzes. Andam 44 eléctricos espalhados por Lisboa totalmente iluminados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos sempre tendência a criticar a vertente cultural da nossa cidade, mas a verdade é que não ligamos muito para o que se vai passando. Para quem também não sabe está uma &lt;strong&gt;exposição do Keith Haring na Culturgest&lt;/strong&gt;. Vamos aproveitar o nosso país, é bonito.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-108844234140125831?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/108844234140125831/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=108844234140125831&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108844234140125831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108844234140125831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/06/como-vai-nossa-cidade.html' title='Como vai a nossa cidade'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-108781320951328098</id><published>2004-06-21T11:19:00.000+01:00</published><updated>2004-06-21T11:20:09.513+01:00</updated><title type='text'>É cultura estúpido</title><content type='html'>Só tenho coisas bonitas a dizer sobre Portugal e o Euro. Portanto não vou falar do que é partilhado por todos. Mas queria deixar aqui o comentário de um amigo meu.&lt;br /&gt;Estava a falar com o Jaime ontem ao telefone e ele diz: “ reparaste que no outro dia houve uma reportagem sobre quem sabia ou não o hino Nacional?” (eu disse que sim). “ O repórter estava escandalizado por muitos adeptos não saberem o hino. Mas no final acaba a reportagem a dizer que era vergonhoso que tantos portugueses não soubessem o &lt;strong&gt;Hino da selecção&lt;/strong&gt;!!!!!”. O Hino da selecção. O heróis do mar, nobre povo…, o hino da selecção. O hino do futebol. E não o HINO NACIONAL?! Eu a julgar que este hino tinha história, que reflectia grande feitos, mas afinal é o hino da selecção. Senhor repórter da RTP1, tenha vergonha você por colocar o futebol à frente da nossa pátria. Acha também que a bandeira portuguesa pertence a uma claque? Que o castelo de São Jorge foi outrora um pavilhão de atletismo? Que o Salazar era um treinador muito, muito mau e exigente, e que depois foi para o Chelsea? Ai, ai, já o ditado diz: Não atires pedras a telhados de vidro. Entre não saber cantar o hino nacional, a considerá-lo o hino da selecção, não sei bem o que revela mais ignorância. Enfim, continuemos todos a cantar aquilo que por vezes é o hino nacional, outras vezes o da selecção, e ainda outras o hino da Rosa Mota, do Carlos Lopes, da Fernanda Ribeiro…enfim. “É cultura estúpido”.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-108781320951328098?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/108781320951328098/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=108781320951328098&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108781320951328098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108781320951328098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/06/cultura-estpido.html' title='É cultura estúpido'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-108781309294376373</id><published>2004-06-21T11:17:00.000+01:00</published><updated>2004-06-21T11:18:12.943+01:00</updated><title type='text'>Fica o desabafo</title><content type='html'>São 10h33 da manhã. Na ressaca da vitória da selecção, decidi acordar cedo, vir para a faculdade e retomar, ou começar o estudo. Achei que se consigo ter tanta garra e optimismo pela selecção, que também o consigo ao nível da escolaridade. Enquanto penso nisso escrevo. Engraçado. Na verdade o despertador tocou e eu não vacilei, levantei-me, tomei banho, vesti-me, tomei o pequeno-almoço e fiz-me à estrada. Acordei motivada, porque sonhei com o Johnny Depp. É uma razão tão válida como outra qualquer. &lt;br /&gt;Não sei mesmo o que é querer tanto uma coisa que até dói. Ter uma vontade tão grande que me faça estabelecer prioridades. Eu acabo sempre por parar, por sair numa bifurcação, ando, ando, encontro alguma coisa, paro, ando para outro lado, paro, e é assim a minha vida. Um exemplo vivo da capacidade de adaptação. Quero muito uma coisa, mas se me aparece alguma coisa pelo meio, não me esforço para manter a ideia original, paro e adapto-me ao que me apareceu. Chama-se a isto falta de ambição, e sim, confesso que tenho pouca. E eis a prova disto, só na altura de exames é que decido parar e escrever sobre isto, conveniente não? Mais um tempinho ocupado. Às vezes não consigo adormecer porque sinto vergonha. Nem me interessa muito o que os outros pensam, porque na prática as coisas vão aparecendo feitas. Mas sei que consigo ser muito melhor, e isso perturba-me. Os momentos antes de dormir são os mais perturbadores do meu dia, penso muito, questiono-me, oiço o meu pai a ressonar e a minha mãe a fazer de farol, enfim são bastante perturbadores. E ultimamente sinto um peso, uma dor miudinha. O pior é que sei que este peso não é o suficiente para me fazer mudar. Enfim, é só mais um ano a juntar à minha vida. Fica o desabafo. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-108781309294376373?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/108781309294376373/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=108781309294376373&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108781309294376373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108781309294376373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/06/fica-o-desabafo.html' title='Fica o desabafo'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-108739359027045486</id><published>2004-06-16T14:44:00.000+01:00</published><updated>2004-06-16T15:27:59.353+01:00</updated><title type='text'>A minha alma gémea é chinesa</title><content type='html'>Fala-se muito em almas gémeas. Não acredito na definição tal como ela existe. Acho que nos podemos identificar muito com alguém, encontrar uma compatibilidade muito boa, sentir que aquela pessoa é perfeita e que não se explica o que sentimos, mas a isso não lhe associo o destino ou forças cósmicas. Se bem que às vezes parece mesmo que nascemos para alguém. Bom a minha questão é: se realmente existe uma pessoa indicada para nós e só para nós, não me parece que essa pessoa seja portuguesa. Deve ser chinesa, uma vez que eles são tantos. Ou seja o homem da minha vida deve ser um chinês que conduz um riquexó e cultiva arroz aos fins-de-semana. Portanto se eu realmente acreditasse em almas gémeas das duas uma, ou acreditava que a estatística iria contra a probabilidade, ou então deixava a minha sociedade e dedicava-me ao Confucionismo para sempre. Os chineses andam aí, desejosos de encher almas por esse mundo fora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-108739359027045486?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/108739359027045486/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=108739359027045486&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108739359027045486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108739359027045486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/06/minha-alma-gmea-chinesa.html' title='A minha alma gémea é chinesa'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-108732062566205628</id><published>2004-06-15T18:29:00.000+01:00</published><updated>2004-06-16T15:27:40.443+01:00</updated><title type='text'>Uma dica para ter festas de sucesso em pleno Verão</title><content type='html'>1.	Uvas pretas, rijas e grandes. &lt;br /&gt;2.	Uma seringa pequena, com agulha. &lt;br /&gt;3.	Uma garrafa de Vodka, se possível boa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Procedimento&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retire a Vodka da garrafa com a seringa e injecte dentro de cada uva, o suficiente para a uva ficar bem cheia e rechonchuda. Deixe no congelador até ficarem bem fresquinhas mas o ideal é deixar no frigorífico de um dia para o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sugestão:&lt;/strong&gt; comer ao final da tarde, perto das 20h. Comer na praia, a esta hora, quando quase toda a gente já foi embora e as cores deixam as pessoas mais bonitas. É um aperitivo maravilhoso para as noites quentes que se avizinham. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-108732062566205628?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/108732062566205628/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=108732062566205628&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108732062566205628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108732062566205628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/06/uma-dica-para-ter-festas-de-sucesso-em.html' title='Uma dica para ter festas de sucesso em pleno Verão'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-108696181469075144</id><published>2004-06-11T14:48:00.000+01:00</published><updated>2004-06-16T15:27:16.556+01:00</updated><title type='text'>Panchito</title><content type='html'>Deram-me um peixe nos anos. Chama-se Panchito e gosta de ver a TV Galicia. Hoje de manhã olhei para ele e dei-lhe comida. O pacote de comida do meu peixe diz o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Alimento completo para peixes de água fria. Ingredientes: Peixes e subprodutos de peixes, cereais, extractos de proteínas vegetais, subprodutos de origem vegetal, óleos e gorduras, moluscos e crustáceos, leveduras, açúcares, algas, lecitina. Contem um agente conservante e corante (UE).”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peixes e subprodutos de peixes?! Eu a julgar que o meu peixe, como espanhol que é, comia tortilhas e pimentos padron (uns picam outros non) e afinal o meu Panchito é canibal, ele e todos esses peixes que andam para aí nos aquários espalhados por todo o Mundo. A culpa não é vossa oh seres aquáticos, mas sim de quem vos compra (de qualquer das maneiras não vou culpar a minha vizinha de 12 anos que me quis dar este maravilhoso companheiro), mas a verdade é que para além destes peixes estarem aqui fechados sem recordações e contacto com o seu verdadeiro habitat, comem-no. Claro que os peixes no mar se comem uns aos outros, mas mostram-se, não se comportam como mafiosos ou vítimas que escondem a cara atrás de quadradinhos. O meu Panchito abre a boquinha de manhã e eu, calmamente, entrego-lhe flocos feitos dos cadáveres e restos dos seus companheiros, daqueles que nunca viu, mas que vêm do mesmo sítio e que por isso têm uma ligação eterna. Recuso-me, vou passar a dar-lhe moscas, que são chatas e não lhe são aparentadas. Será que já lhe calhou o olho ou a barbatana de um amigo? É que ter um peixe é de um completo egoísmo. Eu pelo menos não consigo entender o campo emocional do meu peixe. Vou passar a gritar-lhe: “Pancho andas a comer os teus irmãos e irmãs e isso, para além de incesto, não é bonito de se ver. Dei-te melhor educação e peço-te para parares com essa tortura aos teus familiares.” Vou descartar as culpas para cima dele, ih, ih, o raio dos peixes são um bocado parvos e portanto escuso de andar com peso na consciência porque ando a alimentar o meu peixe com milhares de outros peixes, ele que fique com esse peso, a vida dele renova-se em cada cinco segundos, portanto acredito que não faço um mal maior.&lt;br /&gt;Quando este peixe morrer acho que não quero mais nenhum, gosto muito dele e sei que o cuido bem, mas acho desnecessário. &lt;br /&gt;O meu pedido de desculpas aos peixes, e suas respectivas famílias, que servem agora de alimento ao meu Panchito.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-108696181469075144?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/108696181469075144/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=108696181469075144&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108696181469075144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108696181469075144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/06/panchito.html' title='Panchito'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-108696170511463006</id><published>2004-06-11T14:43:00.000+01:00</published><updated>2004-06-16T15:25:27.760+01:00</updated><title type='text'>O Físico prodigioso</title><content type='html'>“Balanceando o erecto corpo ao passo do cavalo, vinha descendo a encosta. O sol, muito alto ainda, iluminava de crepitações o vale que, selvático, se abria ante o olhar que pervagava abstracto, sem distinguir o mato que floria, as pedras que rebrilhavam pardas e cinzentas, os pequenos animais que esvoaçavam, corriam, rastejavam, ou se ficavam suspensos, sem temor, fitando a mole imensa e caminhante de cavalo e cavaleiro. No fundo do vale, por entre os renques de choupos e salgueiros, entrecortada estava a chapa metálica e estreita de um rio. Foram para ele descendo, o cavaleiro, na mesma distracção absorta, sofreando o passo, que se apressava agora, do sedento cavalo, cujas narinas dilatavam. O manso ruído de águas entre seixos e o suave dançar das folhas do arvoredo ao sopro de uma brisa ténue fizeram que o cavaleiro despertasse para o calor que sentia, o cheiro acre de suor e pó, que dele e do cavalo era mistura, e um cansaço dos membros e da boca seca. Ele próprio dirigia a descida, buscando com os olhos uma sombra que estivesse à beira de onde o rio corresse mais límpido e profundo. E o seu olhar, agora, já não pervagava, mas fito e dardejante perscrutava os recantos marginais do rio, que na verdade pareciam desertos; e os ouvidos, igualmente atentos, habituados a acompanhar os olhos em tais pesquisas, também não distinguiam, sob o arrulhar das águas e o restolhar macio do arvoredo, qualquer ruído que humano fosse. Respirou fundo, no antegosto do banho prolongado e do repouso à sombra. Depois cearia e dormiria até de madrugada, quando as aves e o frio do alvorecer o acordariam para continuar caminho. Para onde? E um sorriso de amarga displicência lhe estava estampado nas comissuras dos lábios, quando já o cavalo parava e baixava a cabeça para beber. Apeou-se, e antes de agachar-se para também beber, movimentou as pernas com jeito da montada ainda, e espreguiçou-se em movimentos de ombros e dos braços, para distender as costas. Depois ajoelhou-se à beira de água, e abaixou-se com as mãos em concha. E segurou, num gesto repentino, o gorro que ia cair na cristalina correnteza. Sempre isto lhe acontecia. Crescera com ele o gorro, não podia o gorro molhar-se, e sempre se esquecia dele. Posou-o cuidadosamente a seu lado, e então bebeu consoladamente a largos sorvos. A água estava muito fria, bem mais do que seria de esperar ali no vale, em pleno Verão, e deu-lhe um arrepio que todo o percorreu. Mas, tão transparente, tomaria nela um banho rápido, para refrescar-se, lavar-se apenas. E, sentado agora no chão, começou a tirar as botas. O cavalo afastara-se, procurando aqui e ali uma ervinha mais gostosa. As botas eram de fino couro, pontiagudas e vermelhas. Esfregou os pés devagar, remexendo os dedos num gesto infantil de como que contá-los. Depois, levantou-se, desapertou o largo cinturão pregueado de ouro e pousou-o ao lado das botas e do gorro. A longa túnica pendeu solta, de uma alvura que recebia sombra, em que o sol se filtrava, reflexos alaranjados que se esverdinhavam flutuantemente. Abaixando-se, segurou-lhe as fímbrias e puxou-a para a cabeça. Os cabelos louros e compridos, empastados de suor, desgrenharam-se numa desordem mole que ajeitou com os dedos por entre eles. Novamente, antes de desatar os cordões da pequena cueca que vestia, olhou em volta. Não havia, nem ao longe, sinal de gente. Ficou então completamente nu. Mas, quando ia para entrar na água, e já os pés estavam dentro dela, ouviu de leve um riso casquinado que, quase desde o berço, lhe era familiar. E, arqueando as sobrancelhas numa expressão de tédio, recuou para a fina erva, e alongou-se no chão languidamente. Com paciência, num abandono indiferente, com a cabeça pousada nos braços, deixou que o Diabo se desesperasse invisível sobre o seu corpo. Carícias prolongadas que leves lhe corriam pela pele, beijos sussurrados que o mordiam pelo corpo adiante, mãos que se obstinavam no seu sexo, durezas que se encostavam nele tentando penetrá-lo… – era o costume, desde que primeiro se soubera homem e se despia todo, e se estivesse só. Sofria aquilo como um vexame inapelável que o não excitava, e que nem sequer lhe dava horror ou repugnância. E que, até certo ponto, o divertia de algum orgulho por paixão tão teimosa e tão ridícula, a que não encontrava em si mesmo, por mais que se observasse, a mínima correspondência que a justificaria. Contra ele, ao cabo de resfolegadas fúrias, o Diabo satisfazia-se e deixava-o; e então o banho que lhe era uma necessidade imediata, como se invisivelmente tivesse ficado sujo de um amor a que se houvera vendido. E a verdade vendo-o ainda impúbere, mas já com corpo de homem, sua madrinha (que lhe dera o gorro) convocara o demo, que logo se abraçara a ele apaixonado. Em troca, recebera poderes imensos; e, com o tempo, viera a pensar que o diabo pedia pouco, se se contentava com uma simples disponibilidade complacente, em que nem com um gesto, nem com um palpitar da carne, ele pactuava.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passagem do primeiro capítulo d’ O Físico Prodigioso de Jorge de Sena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este livro foi-me lido mais que uma vez. Alguns capítulos na praia do Guincho, outros na minha cama ao amanhecer. Também o li sozinha. Deixei um em plena Lisboa com a seguinte frase: “Não te preocupes. Este livro é teu. Partilho-o.”, a pessoa que o encontrou e leu disse-me mais tarde que era um dos seus livros favoritos. É um livro maravilhoso. É muito descritivo, mas não chega ao estilo do Eça de Queirós, capaz de descrever em 100 páginas o enorme Ramalhete. Este capítulo podia ser resumido a uma frase, mas assim está absoluto, pleno. Sente-se o dicionário exposto, as palavras mais antigas, aquelas que os nossos avós tiveram que esquecer, a flutuar. O contacto directo com a bonita língua portuguesa. Alaranjados que esverdinhavam flutuantemente, carícias prolongadas que leves lhe corriam pela pele…adoro este livro. Experimentei um dia ouvi-lo pela boca dele, à tarde na praia, com o mar bravo e de barriga para cima. Lembro-me, porque foi bom. Um dia experimento outra vez. Não imponho a sua leitura, mas aconselho. É um romance de cabeceira, de mala, de viagem, de domingo, de Verão, de Inverno, de amigos, de partilha, de memória, de sorriso aberto e aperto nas emoções.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-108696170511463006?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/108696170511463006/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=108696170511463006&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108696170511463006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108696170511463006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/06/o-fsico-prodigioso.html' title='O Físico prodigioso'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-108679273486103853</id><published>2004-06-09T15:51:00.000+01:00</published><updated>2004-06-16T15:24:51.846+01:00</updated><title type='text'>Um riquexó para o Paquistão</title><content type='html'>“De vez em quando levanto os olhos antes de me situar geograficamente, antes de ter tempo de me preparar. Levanto os olhos e o Taj Mahal apanha-me de surpresa, para lá da varanda do hotel, por cima dos telhados da cidade.&lt;br /&gt;Desde que cheguei a Agra já o vi de muitas perspectivas, em diferentes horas do dia e da noite, de perto e de longe, de lado e de frente – mas se me esqueço de me preparar, cada vez que levanto os olhos é como uma primeira vez. Sinto o mesmo assombro pela sua graça, a mesma alegria por ele existir, por eu o estar a ver. Uma plenitude constantemente renovada.&lt;br /&gt;O imperador Shah Jahan ergueu este mausoléu em memória póstuma de uma das suas mulheres, Muntaz Mahal. O edifício cristaliza uma história de amor em luz e mármore. Mas não é a história de amor que eu imaginei. A beleza e grandiosidade desesperada do monumento levaram-me a conclusões erradas: que o Taj Mahal chorava uma rapariga morta no apogeu da perfeição física.&lt;br /&gt;Afinal, leio que Muntaz Mahal faleceu durante o nascimento do décimo quarto filho do casal. Ela tinha 39 anos, o matrimónio tinha 20. O mausoléu celebra a relação madura de um homem e de uma mulher que envelhecem juntos. O Taj Mahal não é uma homenagem à paixão de um momento, mas sim ao amor de uma vida.&lt;br /&gt;Passeio ao pôr-do-sol pelas margens do rio Yamuna. O Taj Mahal acaba aqui, no rio. Como se a pureza do mármore iluminado se diluísse na frescura cintilante da água. Mas o que antes era fonte líquida de vida, hoje é pestilência e sacrilégio. O rio corre viscoso, opaco, fedorento. Caminho na margem sobre toneladas de plásticos em decomposição, sem saber muito bem o que cobrem, talvez lama, talvez algas e areia, ou pó de mármore, ou terra.&lt;br /&gt;Na distância, quatro homens espalham as cinzas de um parente cremado no que resta do rio.&lt;br /&gt;A água que falta no Yamuna, e que foi substituída por esgotos urbanos, dejectos industrias, pesticidas, ácidos e incúria, é a mesma que falta no Ganges em Varanasi, ou no pedaço de Índico que banha Mumbai, ou no riacho que atravessa a favela de Dhavari, ou no líquido que corre das torneiras de qualquer cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O paradoxo da água&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Este é um dos grandes paradoxos da Índia, o paradoxo da água. No plano simbólico representa um dos elementos mais puros e preciosos das várias regiões do subcontinente, um dos elementos mais desprezados, mais venenosos e envenenados.&lt;br /&gt;A temperatura em Agra atinge 46 graus. Decido refugiar-me por uns dias em Shimla. A uma altitude de 2.200 metros, nos contrafortes dos Himalais, Shimla é um desvio no rosário de cidades indianas que levam ao Paquistão. Fujo do calor antes de mais calor. Os ingleses, durante os anos da Índia Britânica, faziam o mesmo. Quando chegava o Verão, abandonavam Deli e mudavam o governo para Shimla.&lt;br /&gt;Apanho um comboio para Deli, depois outro para Kalka, onde mudo de novo de comboio. Estou agora a viajar numa das vias mais estreitas do subcontinente: construída em 1903 pelos ingleses, uma linha miniatura de Shimla hoje é uma espécie de curiosidade turística. A população faz o mesmo percurso de autocarro, é mais rápido e mais barato.&lt;br /&gt;Passamos 845 pontes, enfiamo-nos numa centena de túneis, demoramos seis horas para percorrer 96 quilómetros. É preciso gostar muito de viajar de comboio: eu gosto. Especialmente na Índia: gosto da atmosfera romântica e vagamente oitocentista das estações, do sentido de missão heróica das locomotivas, da característica popular, igualitária das viagens. O comboio é, juntamente com a democracia, o grande legado da presença britânica no subcontinente: «Os comboios também provocaram uma revolução social», escreve William Dalrymple em The Age of Kali. «Não podiam existir barreiras de casta numa carruagem: comprava-se um bilhete e ocupava-se um assento. Pela primeira vez na história da Índia, um Maulvi que passava os dias a contemplar o glorioso Alcorão podia calhar sentado ao lado de um Intocável que esfolava vacas mortas».&lt;br /&gt;Eu calho sentado ao lado dos músicos de Swatvinder Bitti no comboio para Amritstar. Vêem-me com a guitarra, e já não me deixam em paz. A possibilidade que eu não saiba quem seja Swatvinder Bitti, «a mais famosa artista do Punjab», nem lhes passa pela cabeça. Começam com as perguntas do costume sobre a minha vida privada. Já me habituei: para um indiano, que vive toda a vida apertado entre pais, filhos, tios, primos de primos e restante família alargada, num país que encerra um quinto da Humanidade, a privacidade é um conceito desconhecido.&lt;br /&gt;Quantos anos tenho, se sou casado, quanto é o meu salário, qual é a minha profissão. Digo-lhes que sou professor, é a resposta oficial que ando a dar pelo mundo fora. Sobretudo nos formulários das embaixadas e nas travessias de fronteiras, mas também nas conversas de ocasião. Jornalista, nos países que tenho no itinerário – desde a China ao Irão, passando pela Indonésia e pela Colômbia – não é uma profissão recomendável.&lt;br /&gt;O comboio para Amritsar torna-se uma festa ambulante, com as canções de Swtvinder Bitti cantadas em coro pela banda, pelos passageiros e, também, pelo professor português – que fica com a péssima reputação de não ter queda nenhuma para a música.&lt;br /&gt;Porque a possibilidade que eu não conheça as canções da «mais famosa artista do Punjab», não passa pela cabeça de ninguém.&lt;br /&gt;Em Amristar, a última cidade da Índia, mudo de veículo. Há comboio para Lahore, a primeira cidade do Paquistão. Não há é relações entre os dois países. Uma viagem de 60 quilómetros chega a demorar 15 horas. Convém-me atravessar a fronteira a pé.&lt;br /&gt;Apanho um riquexó para o Paquistão. São 30 quilómetros, custa-me 2 euros. O riquexó deposita-me no posto fronteiriço da Índia. Pelas histórias de outros viajantes, estou a contar pagar «baksheesh», uma luva, para atravessar a alfândega sem problemas. Preparo-me para o pior. O oficial olha com curiosidade a viola. Não pede «baksheesh», pede uma canção. «Da Swativinder Bitti?», pergunto, preocupado. «Não. De Portugal», responde. Isso é mais fácil. Já que acabo de declarar que sou professor, canto-lhe o «Fado do estudante», aquele do Vasco Santana. «Obrigado e boa viagem», despede-me, contente.&lt;br /&gt;Atravesso a terra de ninguém, entro no Paquistão. O guarda-fronteira não quer saber se tenho armas, drogas ou simpatias pelos taliban. Pergunta apenas: «Traz álcool consigo?» Não. Oferece o seu melhor sorriso: «Senhor professor, bem-vindo ao Paquistão».”  &lt;em&gt;Gonçalo Cadilhe, in Expresso&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este jornalista está há dois anos a viajar pelo mundo. Deixou para trás o que o segurava a Portugal. Partiu com pouca roupa, uma máquina fotográfica e um computador portátil. Viaja por zonas que geralmente não aparecem nos guias turísticos. Partiu a 27 de Dezembro de 2002. Um nómada dos nossos tempos. Sem ouvir a voz das vizinhas, sem ter que responder ao senhor do café à saída de casa. Sem ter que comprar o passe todos os meses. Aos meus olhos é um herói. Daqueles que aparecem de década a década, e é assim que deve ser. Se partisse hoje sentiria a falta de algumas pessoas, mas sentiria mais a falta do Atlântico e de Lisboa, com quem tenho a relação perfeita. A cidade e o oceano são para mim o reflexo de uma simbiose perfeita. Só existem quando os vejo. &lt;br /&gt;Decido regressar ao blog com a escolha de Gonçalo Cadilhe, um repórter do Expresso que sigo desde que partiu. O relato que escolhi é um dos meus favoritos, porque se destaca do meu mundo, e mostra como, noutros pontos geográficos, também existem formas de bem-estar e beleza. No próximo Sábado encontro-me de novo com o Gonçalo, seja na Ásia, ou na Europa, ou noutro sítio qualquer. No final o que me interessa é a viagem. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-108679273486103853?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/108679273486103853/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=108679273486103853&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108679273486103853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108679273486103853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/06/um-riquex-para-o-paquisto.html' title='Um riquexó para o Paquistão'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-108679266622609801</id><published>2004-06-09T15:50:00.000+01:00</published><updated>2004-06-16T15:23:28.206+01:00</updated><title type='text'>Mecânicos...quem os entende?</title><content type='html'>Era uma vez onze e um quarto da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Local:&lt;/strong&gt; mais uma oficina&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo:&lt;/strong&gt; doença crónica do meu carro, cuja origem reside em Itália. Uma síndrome nascida e criada na central da FIAT. Vírus que se aloja no sistema eléctrico.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cura:&lt;/strong&gt; pequenos arranjos, aqui e ali. Adaptação e habituação ao temperamento do vírus. Fase terminal para o carro. Momentos menos calmos para a dona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já me apercebi que tenho que me adaptar ao carro que tenho. Passar horas nas oficinas, ou ocasionalmente parar em plena hora de ponta na segunda circular e ter que ir de reboque para casa já não me incomodam muito. Enfim, tento ver o lado positivo destas experiências. Partilho com os meus leitores os relatos dos maravilhosos dias que passei pelas oficinas de Portugal.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar constatei que todos os carros dos mecânicos têm um aspecto horrível, parecem velhos, pequenos, vulgares e com pouca potência. Ora, segundo os donos, estes são verdadeiras máquinas. Velhos e feios, mas potentíssimos. Dignos da popular frase: “Isto anda que desanda”. Efectivamente. Lá está “ nem tudo o que reluz é ouro”, neste caso, nem tudo o que parece podre, fede.&lt;br /&gt;A linguagem desta elite de mecânicos constitui um verdadeiro enigma do mundo dos dialectos, esqueçam as regras de semântica, sintaxe e a própria pronúncia. Acredito verdadeiramente que os mecânicos pertencem a elites fechadas aos cidadãos comuns, onde desenvolvem rituais e dialectos relacionados com os veículos motorizados, se assim não fosse porque que raio é que são iguais em todos os pontos de Portugal, e numa pequena oficina no sul de Espanha? Hein?&lt;br /&gt;Caro leitor imagine-se chateado, imagine-se surpreendido com a avaria do seu carro, imagine-se a chegar a uma oficina pela manhã. Para além do aspecto característico, que mais tarde falarei, temos a saudação mecânica: “Boas!”. Apenas. Boas. Nem tardes, nem noites, boas. A partir daí desenrola-se um manancial de expressões e sons que o leitor não irá identificar. Aconselho-o a prestar muita atenção e a registar bem as poucas palavras que conhece. E pergunte, não se sinta envergonhado, eles gostam que se pergunte. Associado ao discurso do mecânico está o chamado bicho-carpinteiro. O mecânico não consegue estar parado, o seu discurso é sempre acompanhado da chave-inglesa, das porcas, das correias, das anilhas. Mas a sensação que transparece é a de que o mecânico anda para ali de um lado para o outro sem saber bem o que fazer, atarracha aqui, põe óleo ali, aperta um bocadinho aqui, dá umas guinadas com força no volante, mas a sensação que passa para o comum mortal é que o técnico está a fazer uma bonita performance, como se de uma dança de tratasse, há até quem diga que por vezes se assemelham à Olga Roriz, ou ao João Baião. Na linguagem as regras são muito simples, tudo o que acaba em “gem” é substituído por “ge”. A embraige, a chaufage, a travage, a linguage, a ferrage, enfim, musica para os ouvidos. O discurso é sempre com aquele ar de condescendência e de cansaço: “pois isso agora é muito complicado, não lhe quero prometer nada, já sabe como é que é!”. Os mecânicos nunca sabem muito bem com o que contam. Ao que parece os carros vêm acompanhados dum pneu suplente mas também de temperamento. Suponho que depois de um carro estar totalmente montado entre um pouco de magia, a qual explica a impossibilidade de fazer diagnósticos de doenças. Outra coisa que define muito bem esta classe é o facto destes serem os únicos profissionais que não nos tratam como bebés, falam connosco com tamanha especificidade que no final apenas percebemos que alguma coisa se passa e que é preciso abrir o motor. Começam: “pois isto o que se passa é que com o passar do tempo acumulou-se alguma humidade ao nível da cabeça do motor do carro o que fez com que a velas de ignição se quebrassem e reflectissem uma desconjunção com a correia de transmissão o que faz com que o radiador sofra uma pequena fuga que depois vai relacionar-se com todo o sistema eléctrico fazendo com que o alternador não consiga carregar a bateria de forma eficiente. Sabe como é que é, isto os carros têm muito que se lhe diga!”. Pois parece que sim. Os carros são pessoas. Não são peças montadas de forma a originar um conjunto que resulta num veículo motorizado. E depois existem os estigmas. O que confirma que são realmente tratados como se sentimentos tivessem. “A Opel é muito bonita mas na prática não dá segurança nenhuma”, como se de uma prostituta de tratasse, uma prostituta que não usa preservativo, anda aí a rebolar-se com todos. A FIAT têm estes problemas com o sistema eléctrico, não se descobre bem o que é, às vezes passa-se, muito ao estilo de uma doença bipolar.” Lindo. Depois temos o aspecto físico. Acredito que estes senhores acordam bastante cedo para prepararem as suas vestes e maquilhagem (perdoem-me, maquilhage), como se de um ritual se tratasse. Acordam, supondo, às 6h15 da matina. Ligam o rádio e colocam o CD Rally 2000 – vire o século ao som dos motores. Colocam o macacão (azul ou verde) que foi cuidadosa e especificamente salpicado de óleo. O óleo não pode ser demais, não pode estar demasiado concentrado numa zona, o mais provável é que existam regras de moda a este nível. Após a roupa temos a maquilhage facial Mais uma vez o produto usado é o óleo (um óleo importado de França, especialmente criado para mecânicos). Colocam algum na cara, depois da base aplicada e começam a espalhar aleatoriamente, o objectivo é parece casual, o truque é esse, parecer que a cara está suja porque por acaso o senhor estava a arranjar um carro e sujou-se com óleo na cara. Esqueci-me de referir que o macacão deve estar parcialmente aberto, o que implica também uma certa quantidade de óleo no peito. No final o que interessa é que estes senhores ganham bastante bem, têm uma vida relativamente calma e constituem uma espécie muito particular da fauna humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me posso queixar destes homens, só lhes tenho a agradecer os piropos (todos com comparações automobilísticas), as vezes que me safaram em plena estrada, um CD de Miles Davis que deixaram no porta-luvas e a informação que me deram sobre o meu carro, ao contrário da maioria das pessoas que sai da escola de condução, eu posso afirmar que sei o que é a cabeça do motor, onde está o radiador, as velas de ignição, a caixa de fusíveis, …, a correia do alternador, ….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-108679266622609801?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/feeds/108679266622609801/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6847463&amp;postID=108679266622609801&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108679266622609801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108679266622609801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/06/mecnicosquem-os-entende.html' title='Mecânicos...quem os entende?'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6847463.post-108302918511616196</id><published>2004-04-27T02:24:00.001+01:00</published><updated>2004-06-16T15:21:30.770+01:00</updated><title type='text'>O bicho da escrita</title><content type='html'>3h54. Escrevo. Sobre ele. &lt;br /&gt;0h31. Ele. Escreve. Chama-se Rui Zink.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O bicho da escrita&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“…Escrever é bom. Escrever as palavras. Escrever as coisas. Escrever o mundo. O mundo dentro de nós. E o mundo fora de nós. Todos os meus amigos escrevem. Todos os meus amigos são escritores. Todos os meus amigos fazem livros. E o pior é que não são só os meus amigos. As outras pessoas também. A doença é altamente contagiante. Faz o Ebola parecer um vírus de brinquedo, tal a velocidade a que se reproduz e transmite. Os cientistas ainda não conseguiram isolar o vírus, ou encontrar um antídoto, ou mesmo identificar a origem da doença, ou explicar-lhe a natureza, porque…pois, isso mesmo, estão todos ocupados a escrever. Há pessoas que já definharam e se consumiram por inanição. Nada de espantar, é até bastante lógico, embora escabroso: escrevem, não comem, morrem.&lt;br /&gt;É triste, mas é a dura realidade: a imaginação humana está em contínua expansão, como o universo. A imaginação humana é como um buraco negro, tudo consome, tudo devora. E a humanidade corre o risco de se extinguir por causa disso, por excesso de imaginação, por excesso de talento, por excesso de criatividade. Com franqueza há um limite para tanta produção artística e cultural. Ou devia haver, porque, pelos vistos, não há. Ainda por cima de qualidade. Sim, porque, quem sou eu para o negar? As pessoas não só escrevem como ainda por cima o que escrevem é bom, é interessante, é válido, merece ser lido, tem estilo pessoal, vem ocupar um espaço no espaço da literatura que estava por ocupar porque não sabia, antes de ser ocupado, que esse espaço existia e era ocupável, cada pessoa cria o seu nicho com a mesma avidez e a mesma precisão milimétrica com que a andorinha constrói o seu ninho. E, se é certo que uma andorinha não faz a primavera, nem um escritor chega para fazer a literatura, muitas andorinhas juntas, milhares, milhões, biliões de andorinhas juntas chegam e sobram para fazer à vontade uma caterva de primaveras: sobretudo daquelas que trazem como brinde gratuito uma senhora porção de Verões, Outonos e, claro, Invernos. Esse é que é o busílis.&lt;br /&gt;Eu sou um leitor. Sei o que sou: leio o que os outros escrevem. Faço-o até compulsivamente. De manhã, ao pequeno-almoço, mesmo que não tenha um jornal pela frente, as páginas com a tinta ainda fresca aflorando a chávena de café, os meus olhos percorrem instintivamente a mesa, à procura de palavras, letras, frases para ler: “Corn Flakes”, “rico em vitaminas e minerais”, “loja 18 – Rua Camilo Castelo Branco, 15 –A”, “Planta – margarina vegetal, 250 gramas”…Depois à medida que o dia avança, vou lendo tudo: todos os jornais, todos os anúncios, todos os números de portas, todos os nomes de todos os médicos de todas as placas que fica na rua pela qual perpasso todos os dias. Sou um leitor num mundo de escritores, e isso faz-me sentir muito sozinho. Porque todos escrevem – mas ninguém lê o que os outros escrevem. Ninguém senão eu. Não têm tempo. Estão absortos a contar a sua história, a conceber o seu monumento de imaginação e arte, que não têm tempo para ler. Nem é uma questão de ter tempo, é que simplesmente já não conseguem. Não conseguem ler. E, qualquer dia, já não sabem ler. As línguas vão acabar, ainda antes mesmo do mundo, porque cada um vai cada vez mais e mais escrever na sua própria língua, no seu código muito pessoal, esquecendo-se que a comunicação tem dois sentidos e que, para se ser compreendido, é preciso partilhar os elementos para esta compreensão. Não lêem. Só escrevem. Morrem. Tal é a potência, a perversão demente do vírus.” 																		Rui Zink&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última vez que o viram tinha um jornal na mão. Diz que se matou porque leu num livro. Acima das imagens dos corpos frios alguém escreveu: “Esta é a pior guerra de sempre”. No papel estava escrito, resultado positivo. As letras eram claras, a multa era de 500 euros. Apaixonei-me assim que olhei para ele, no comboio, com um livro velho entre as mãos. Na placa, finalmente chegou, 0 km. No papel, dois quadrados: sim e não. Anunciava a bold: esta semana, pela primeira vez na televisão. Lá estava, em letras pequenas: não pagamos se a pessoa não trabalhar exactamente as horas pedidas. Em rodapé: preço da chamada 5,99 por cada minuto. Dentro do estojo, um papel quadriculado onde a pergunta dizia: queres namorar comigo? Sim? Não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todo o lado, gentes criativas que escrevem. Eu leio, na cadeia humana sou leitora. A galinha da vizinha parece sempre mais gorda que a minha. Exacto. Gosto sempre mais do que os outros escrevem. Por isso entro na auto – estrada, meto-me na faixa mais à esquerda, passo por um carro, por uma carrinha, meto a quinta nas emoções e preparo a caneta vermelha. Vou sublinhar as letras mais redondas, as mais bonitas, as mais pequenas, dizer que se escreveu sobre aquele, o outro, pôr os óculos cor-de-rosa e ver o mundo da melhor forma. Se lês isto, é porque existes como eu, como leitor. A ti prometo que não vou escrever, mas ler.&lt;br /&gt;E tu? Serás como eu? Se fores, aparece. Eu saberei reconhecer-te e tu também. Seremos os únicos – na praça, no jardim, na rua, no café, onde quer que nos encontremos – sentados pacatamente, com um sorriso nos lábios e um livro, aberto, na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6847463-108302918511616196?l=obichodaescrita.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108302918511616196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6847463/posts/default/108302918511616196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://obichodaescrita.blogspot.com/2004/04/o-bicho-da-escrita.html' title='O bicho da escrita'/><author><name>Ana Elisa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07051327657372483586</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
