"Todos os meus amigos escrevem. Todos os meus amigos têm livros. Eu leio. Sei o que sou: leio o que os outros escrevem." E tu? O que és? Senta-te comigo, com um sorriso nos lábios e um livro aberto nas mãos.

Sexta-feira, Novembro 26, 2004

Censura

Falar de censura pode tornar-se um bocado fútil quando não se sabe muito bem do que se fala. Eu não sei tão bem quanto o meu avô, ou avó sabiam. Mas não deixo de ter uma opinião e um conceito formado. Teoricamente acho que a censura que mais nos flagela é a que fala baixinho, nas costas, segura de que ninguém a topa. Não acho que veja mais que os outros, acho que todos já se aperceberam que o país não está muito bem de saúde e que algumas coisas se vão passando nas nossas costas.
Não se pode negar que hoje em dia a maioria das pessoas vêem televisão. Algumas lêem jornais, revistas, mas de facto a maioria de nós vê televisão. Torna-se um alvo fácil, quer para o lado para onde se abrem portas ou para o lado em que se fecham. E ultimamente algo se tem passado. É engraçado que as coisas vão tendo proporções quer ao nível privado, quer ao nível público. Caso Marcelo. Ponto final aqui que isto tem mediatização suficiente para que todos tenhamos uma opinião formada. Do que eu quero falar é das consequências do congresso do PSD na televisão. Talvez para os assíduos este tenha sido um facto que não passou ao lado. Alguém se apercebeu que nos últimos tempos o Contra-Informação deixou de ser imediatamente antes ou depois do Telejornal? Pois é, deixou, se bem que esta semana houve aqui umas nuances. Estamos a falar de um programa arrojado, que diz mesmo as coisas como devem ser ditas. É muito fácil esquecer-se que atrás de bonecos estão pessoas a falar e a escrever, ou antes…a pensar. Inteligente quem pensou que seria mais fácil falar-se sobre a forma de caricatura, realmente é, passa mais ao lado de quem pega na caneta e risca, porque geralmente quando se quer falar a sério não se goza tanto. Mas a verdade é que dois factos são incontornáveis: o Contra-Informação mudou de horário (para mais tarde) e o Contra-Informação acerca do Congresso do PSD, o Contra-Informação que iria passar na segunda-feira a seguir ao Congresso foi CENSURADO. Aliás durante algum tempo as notícias que passaram foi de que o Congresso tinha corrido tão bem, tinha sido tão proveitoso. O DN de segunda-feira trazia maravilhosas fotografias e momentos extraordinários, de harmonia, de conversas e debates afáveis e saudáveis. 20 folhas de borracha na mão a apagarem o que correu mal. O normal até é que algumas coisas não corram bem. E a turba de bola baixa (que o guarda redes é anão) não vá malta levantar o chuto e marcar golo.
Apercebo-me que nos dias que correm tenho que ver a Sic Notícias. Provavelmente luxo, confesso que não sei muito bem quem tem ou não TV Cabo ou Cabovisão. Acho que não será a maioria, ainda não. Para quem não tem o hábito de ler, está condenado a 4 canais que vão sentindo o pulso forte do Governo. E mesmo para nós leitores, há pouco que se aproveite. Eh pá, pareço desesperançada? Não estou. Conheço os meus amigos, sei que pensam, e sempre nos ensinaram que o pensamento é o nosso melhor amigo, ou será o cão? Pelos vistos, ambos mordem.
O futuro faz-se de belas conversas em cafés, de programas como a Opinião Pública na Sic Notícias e de ouvidos colados às paredes, que tudo o que se passa fala, fala é baixinho. Ou então de revolução. Solidária ao XVII Congresso do PCP que se passa neste fim-de-semana. Solidária. Vamos lá ver o rumo que o partido leva. Vamos lá ver. Mas solidária, apenas.
E como conclusão: tenho pena dos antepassados que nos deram ideias tão bonitas, tenho medo e vergonha do meu país. Mas amo-o de braços abertos e por isso vou acreditando que melhores dias virão. Filosofia de vida aplicada à vida pessoal, mas também ao meu país. Se assim não fosse, iria pertencer a que terra? A merda existe em todo o lado, o engraçado é que as moscas também. Não há merda que não seja famosa ao ponto de não ser seguida.