"Todos os meus amigos escrevem. Todos os meus amigos têm livros. Eu leio. Sei o que sou: leio o que os outros escrevem." E tu? O que és? Senta-te comigo, com um sorriso nos lábios e um livro aberto nas mãos.

Domingo, Setembro 12, 2004

Febre de Sábado à noite

Sábado à noite. Maquilhada e vestida a rigor. Motor preparado para arrancar. Partida: Alcobaça. Chegada: Sítio (na Nazaré).
Este fim-de-semana decorreram as aclamadas (para quem é de lá) festas do Sítio. Eu decidi ir, insisti com as minhas primas e argumentei dizendo que seria uma noite de folia. E foi.
A feira estava apinhada de gente, ouvia-se de cinco em cinco segundos (memória dos peixes) a voz dos anunciantes dos carrinhos de choque, os ciganos que teimavam gritar: “é para dar valor ao que é roubado”, e o frenético anunciante do saltamontes louco (antigo canguru, ou na feira popular a antiga tarântula). Eu achei que aquela festa era um motivo mais que suficiente para fazer uma visita ao passado, e assim foi. Toca de gastar dinheiro nas fichas dos carros de choque. Agora com carta de condução senti que poderia fazer muito mais naquela pista, e lá vou eu, para a auto-estrada luminosa. Vira para esquerda, vira para a direita, guina para o lado, e aí está…o primeiro acidente, mesmo na curva mais apertada do distrito. Um choque frontal, gravíssimo. Por momentos até pensei…será que bati contra algum condutor jeitoso (claro que na feira o meu pensamento fica deturpado, e o que seria antes interessante, passa a ser jeitoso), tive azar, não era jeitoso. E lá continuei, a rir, a cantar o Summer Jam, a bater e a ter acidentes por excesso de velocidade e principalmente por excesso de boa disposição. Passado algum tempo as fichas acabaram, o dinheiro ainda tinha que dar para o Saltamontes Louco e para a tradicional fartura (não deu, foi emprestado).
As minhas primas estavam com algum receio em andar no Saltamontes Louco, que tinha no cimo o belo grilo do Pinóquio. Não liguei nada para o receio delas, sabia que iam adorar. Feita louca vou à cabine e peço três bilhetes, o rapaz dá-me quatro…eu pergunto porquê e ele dá-me um sorriso tímido, aliás um sorriso de quem quer a coisa…não pegou, mas a viagem suplente soube-me bem. Nada como um saltamontes louco para por as ideias no lugar. Protegi as minhas primas, confirmei, desconfirmei e voltei a confirmar a segurança do aparelho, agarrei bem as miúdas e disse-lhes que ia ser espectacular. Estávamos preparadas! De início a sensação no estômago, depois o desapego total. Eu ri-me, elas riram, adorámos. O rapaz na cabine ia cantando, e dizendo e Toma, e Toma, e Toma, terminou?, terminou?, terminou?, quem quer mais? Quero ver os braços no ar, vamos a animar pessoal, e agora para trás, e agora uns para cima, outros para baixo….a banda sonora ideal.
Foi fantástico. Depois a actuação de Pedro Miguéis. Não fiquei para ver, tive a sensação que iria regredir mais do que queria. Saí com um saco de farturas na mão e com um formigueiro na barriga, mas um dos bons.

Esta é uma das coisas que não gostaria que mudasse em Portugal. Estas festas das aldeolas, das cidades, dos Portugueses. Passei por uma fase em que era inconcebível ir a este tipo de festas, não queria, achava que não tinham estilo. Entretanto cresci e ganhei algum discernimento. Agora gosto, é sempre sinal de diversão. E este fim-de-semana foi muito bom. Às vezes apetece ser-se mimado pela família, mimar-se a família e regressar a um passado que já vai ficando distante. Para o ano vamos todos. Ficam as direcções dadas, tal e qual, pela minha mãe: “Vais pela rotunda, viras para cima, depois não segues naquela subida que vai para a praça de touros, segues em frente e viras para uma recta com vivendas, pronto é isso.” Tão famosa é a festa, que a mim bastou-me seguir os carros.